Quinas. A cerveja que quer concorrer com a Sagres e Super Bock

Nova marca, do grupo Domus Capital, pretende impor-se como o terceiro 'player' de cerveja industrial no país. Em três anos quer ter 5,9% de quota

Há uma nova cerveja no mercado com uma ambição clara: quer ser o terceiro player nacional de um sector marcado pelo “duopólio” da Sagres e da Super Bock. A Quinas, lançada em fevereiro, terá arranque oficial em setembro, quando todas as referências estarão já disponíveis. O plano de negócios prevê que, em três anos, a marca atinja vendas de 12 milhões de euros e uma quota de mercado de 5,9%.

A Quinas é o mais recente projeto do grupo Domus Capital, especializado no outsourcing de exportação para grandes empresas, e nasceu da identificação de uma necessidade no mercado. “No contacto com os clientes internacionais era constante a pergunta sobre outras opções no segmento cervejeiro nacional, já que as duas marcas industriais existentes têm contratos de exclusividade com determinados importadores”, explica Sérgio Duarte, CEO da Domus Capital. E acrescenta: “A ideia da Quinas nasceu precisamente no dia em que nos apareceu um grande cliente chinês à procura de uma cerveja industrial. Percebemos que era o momento de avançar com uma nova marca que identificasse bem o país.

Internacionalização

Dois milhões de euros foi o investimento de arranque da empresa, sendo que a produção é feita em regime de outsourcing em unidades industriais em Aveiro, Santarém e Espanha. A opção por formatos exclusivos - designadamente para a cerveja artesanal de meio litro - obrigou a Domus a fazer investimentos nas linhas de enchimento. A produção esperada para os primeiro dois anos de atividade é de cinco a nove milhões de litros, com os mercados internacionais a valerem 50% das vendas, no mínimo, já em 2019.

“Temos já um contrato de exclusividade para a distribuição no mercado francês com a Agribéria, empresa com capacidade de distribuição global, quer para o mercado da saudade quer para as grandes insígnias alimentares francesas, com cobertura nacional”, diz. Está, também, já fechado acordo exclusivo para os EUA e a Alemanha. A China, pela sua dimensão, terá uma abordagem com vários parceiros, sendo que estão já avançadas as negociações com três grupos distintos, designadamente para definir as províncias onde cada um irá dominar. O mercado africano é, também, uma aposta. “Temos estratégias diferenciadas de acordo com os mercados onde vamos operar. Criámos, até, uma fábula que explica a origem e a história da Quinas a pensar sobretudo no mercado asiático onde a ligação com o consumidor é um fator estratégico”, frisa o gestor.

A implantação externa passará, ainda, por “parcerias estratégicas” com unidades produtivas locais, em alguns países, de modo a facilitar a entrada no mercado e a competitividade. Angola é um deles e a Quinas promete novidades em breve.

Sobre a razão da escolha do nome, Sérgio Duarte assume que o objetivo é divulgar Portugal ao mundo e “promover o espírito de conquista” que todos os portugueses têm no seu ADN. “Invoca as nossas origens, os descobrimentos, a força que representa Portugal. A Quinas não é só uma cerveja, é uma inspiração nacional”, diz. O gestor admite que o objetivo é criar uma “ligação emocional” com as comunidades portuguesas espalhadas pelo mundo o que, acredita, não irá limitar a expansão internacional. “Portugal é reconhecido como um dos melhores destinos turísticos do mundo e pretendemos trabalhar as nossas marcas usando isso como argumento”, frisa.

Guerra de preços? Não

Mas nem só do mercado internacional viverá a Quinas. Na verdade, o grupo Domus Capital assume que o país constitui uma aposta especial, mas sem lutas diretas de mercado. “Portugal precisa de um novo projeto que possa promover o país e mostrar outra cerveja ao mundo. A Quinas é isto mesmo, é promover Portugal numa garrafa. Claro que teremos de ser competitivos, mas faremos o nosso caminho sem entrar em guerras de preços. Pretendemos ocupar espaços que os líderes de mercado não trabalham e queremos criar bases em canais que neste momento se encontram disponíveis”, salienta Sérgio Duarte.

A Quinas chega ao mercado nas opções barril, garrafas de 33 e de 25 centilitros e latas de 33 e de 50 centilitros. Tem, ainda, a gama de cervejas artesanais, em versão 50 centilitros, e em homenagem a cidades ou regiões. Há já a Guerreira, que ostenta o Castelo de Guimarães no rótulo, a Tripeira, com o Rio Douro, a Olisipo, com uma vista de Lisboa, a Algarvia, que remete para as praias e grutas da região, ou a Pérola, com uma casa de Santana no rótulo. E a ideia é continuar a expandir o conceito. “Não é só o rótulo de cada uma delas que é distinto, as próprias cervejas são diferentes”.

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