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Quota de mercado dos carros a gasóleo cai para mínimos de 2003

(Rui Oliveira / Global Imagens)
(Rui Oliveira / Global Imagens)

Peso do diesel nas vendas automóveis caiu de 61% para 53,2% no ano passado, e vai continuar a baixar, antecipa a ACAP.

Os carros a gasóleo continuam a ser os mais vendidos, mas a tendência é de descida e os números de 2018 confirmam-no. No ano passado foram registados 121 591 automóveis ligeiros de passageiros com este motor, menos 10,4% face a 2017. Isto traduziu-se numa quota de mercado de 53,25%, num ano em que foram matriculados um total de 228 327 veículos ligeiros, segundo dados publicados esta terça-feira pela ACAP – Associação Automóvel de Portugal. Em 2017 o gasóleo representava quase 61% do mercado (ver infografia).

É preciso recuar 15 anos para encontrar uma quota de mercado tão baixa. “Portugal está a seguir a tendência europeia de redução de compra de carros a gasóleo”, assinala Helder Pedro, secretário-geral da ACAP. Ainda há cinco anos esses veículos tinham um peso recorde de 72,3% no mercado automóvel nacional. De 2013 para cá registou-se uma quebra de 19 pontos percentuais. E não faltam argumentos, dentro e fora de Portugal, para explicar a forte descida deste combustível nas preferências dos consumidores.

Leia mais: UE admite que carros a gasolina e diesel possam deixar de ser vendidos em 2040

As notícias sobre a fraude de emissões com os carros a gasóleo, “que ainda não foi resolvida”; a “maior sensibilidade das pessoas para as limitações de circulação em várias cidades europeias para o cumprimento dos limites de emissões”; a “aproximação do preço da gasolina e do gasóleo”; e o “aumento do risco de desvalorização” dos carros a diesel são argumentos que estão a pesar na hora de comprar o carro, entende Francisco Ferreira, dirigente da associação ambiental Zero.

Este responsável ressalva, no entanto, que “a tendência de redução do peso dos carros a gasóleo está a manifestar-se de forma mais lenta em Portugal face a outros países”. Isso mesmo mostram os dados mais recentes da ACEA – Associação Europeia de Construtores: na União Europeia a 15, a quota de mercado destes veículos foi de 44,8% em 2017. E espera-se que esta percentagem seja ainda mais baixa em 2018.

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Os motores a gasolina são os maiores beneficiados com a perda de força do gasóleo. No ano passado, as vendas de carros a gasolina subiram 18,1% para 89 748 unidades. Isto correspondeu a uma quota de mercado de 39,3%, a mais elevada desde 2004.

“Os portugueses estão a escolher estes veículos por causa da própria oferta das marcas”, sustenta Helder Pedro. Por outro lado, segundo Francisco Ferreira, “o mercado vive um período de transição, dos veículos de combustão para os veículos movidos a bateria”. E, na hora da dúvida, não há hesitações: os portugueses “ainda escolhem os carros a gasolina”.

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Mas o mercado português também está a optar cada vez mais pelos carros alternativos, sejam híbridos, a gás natural ou mesmo elétricos: já representam 7,45% das vendas. E só no ano passado foram vendidos 4 073 automóveis elétricos, mais do que no conjunto dos sete anos anteriores. “Estes carros já são bastante compensadores para as empresas, que têm benefícios a nível de custo de aquisição e de utilização, sobretudo para percursos até 150 quilómetros por dia”, entende o ambientalista.

A escolha de automóveis alternativos “deverá crescer bastante em 2019 e 2020”, mesmo que seja acompanhada pelo crescimento “mais residual” dos automóveis a gasolina, na visão do secretário-geral da ACAP. Mas o motor de combustão terá uma estrada com cada vez mais curvas no futuro: “a partir de 2021 ou 2022 será atingido o ponto de igualdade de preços entre os carros com motores a gasolina e gasóleo e os veículos com baterias”, antevê Francisco Ferreira.

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