Reabilitação low cost: As construtoras estão a regressar à vida

O Palácio das Cardosas nos anos 70
O Palácio das Cardosas nos anos 70

Em apenas um mês, a reabilitação low cost conseguiu uma proeza:
despertar algumas construtoras do quase coma para que a crise as
atirou. O impacto do novo regime excecional da reabilitação, que
veio simplificar as exigências técnicas na recuperação de
edifícios com mais de 30 anos, já se sente na atividade das
construtoras, garante Filipe Azevedo, administrador da Lucios –
Engenharia e Construção (responsável por projetos como o Hotel
Intercontinental Palácio das Cardosas e a reabilitação, em curso,
do Edifício Castilho, em Lisboa). E está a atrair investidores que
tinham desistido de intervenções planeadas devido aos custos
excessivos que exigiam.

“Há determinadas intervenções em edifícios do centro
histórico que se tornavam quase impraticáveis por terem de cumprir
todas as regras do edificado novo. Em termos de negócio, deixavam de
valer a pena”, explica Filipe Azevedo, que classifica a nova lei
como “o maior contributo para a reabilitação em Portugal”. Em
causa estão questões como as dimensões das caixas de escadas, que
nos edifícios antigos não correspondem às dimensões atuais, o que
obrigava a fazer de novo ou a esventrar o edifício para colocar
elevadores.

O certo é que só a aprovação da nova lei da chamada
reabilitação low cost serviu já para atrair os investidores.
“Temos dois exemplos de possíveis investidores, que tinham feito
consultas para intervenções e que desistiram porque os preços eram
impraticáveis. Agora voltaram à carga pedindo nova avaliação ao
projeto”, diz, explicando que a redução de custos decorrente da
nova lei chega aos 40%. Qualquer operação no centro histórico das
cidades “é hoje mais fácil de fazer, leva menos tempo e custa
menos dinheiro, três fatores-chave na análise que qualquer
investidor faz a uma operação”.

Com 30 milhões de faturados em 2013, este segmento de mercado
vale já cerca de 60% do volume de negócios da Lucios em Portugal
(quase 51 milhões no ano passado). Filipe Azevedo admite que a
tendência será de reforço. “Havendo menos oportunidades nas
outras áreas, a reabilitação vai ganhar peso”, sublinha.

Já para este ano, a construtora prevê um volume de negócios na
ordem dos 54 a 55 milhões de euros. O objetivo passa por “manter a
dimensão média” da empresa em torno dos 50 milhões. Mas, em
contrapartida, os mercados externos vão disparar e deverão valer,
no final do ano, 20 a 25 milhões de dólares contra os 7 a 8 milhões
de 2013. Mais, embora o processo de internalização da Lucios tenha
arrancado há apenas dois anos, em Moçambique, Filipe Azevedo admite
que, em quatro a cinco anos, este mercado tenha já uma dimensão
superior à do português.

Internacionalização e diversificação

França, onde já tem uma sucursal, é outra aposta. O objetivo é
que, em três anos, este mercado, onde a construtora está a arrancar
com o primeiro contrato – uma reabilitação no valor de 12 milhões
-, valha já 20 a 25 milhões de euros anuais. Com 290 trabalhadores
em Portugal e 90 em Moçambique, a Lucios tem vindo a diversificar
destinos. Filipe Azevedo assume estar “especialmente atento” à
Argélia, onde tem apresentado “muitas propostas”, e ao Gana,
onde dá os primeiros passos.

E por cá? O administrador da
construtora assume “desconhecer” se Portugal vai continuar a
oferecer as oportunidades necessárias, quer em obras públicas quer
de investidores particulares, para manter a dimensão da operação.
Até porque assume a sua dificuldade em fazer previsões a mais de
dois anos. “Temos mais de 70 milhões de euros de obras em
carteira, o que nos dá trabalho garantido para os próximos 18
meses. Nunca me atreveria, há meio ano apenas, a prever isto. No
último ano e meio não íamos além dos dez a 12 meses de trabalho
garantido”, sublinha. Mas nem só de construção é feita a aposta
de futuro do grupo. Bem pelo contrário, reconhece Filipe Azevedo:
“Para nós é fundamental ir crescendo noutras áreas que não a
construção civil e, daí, o nosso investimento na diversificação
de negócios”. Em análise estão “oportunidades ligadas ao
Turismo em Portugal”, mas a aposta mais recente é a construção
de uma fábrica de água engarrafada em Moçambique, que será
inaugurada em junho.

O investimento é de 3 milhões de dólares e resulta de uma
parceria com mais quatro sócios. Por isso mesmo, Filipe Azevedo não
entra para já em pormenores, nomeadamente no que à marca da água
diz respeito. Sublinha apenas que a nova fábrica vai ficar situada a
50 quilómetros de Maputo e que permitirá criar cerca de quarenta
novos empregos.

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