Receitas do alojamento turístico afundam mais 90% em fevereiro

Um ano de pandemia levou o setor do alojamento turístico a registar quebras de mais de 70% no número de hóspedes e de dormidas face ao acumulado dos 12 meses anteriores.

A fatura que a pandemia tem passado ao alojamento turístico é pesada. Os últimos meses, devido ao confinamento e fortes restrições em Portugal e no resto da Europa, essa fatura tem sido ainda mais elevada. Os dados finais do Instituto Nacional de Estatística (INE), relativos à atividade turística em fevereiro mostram que as unidades de alojamento para turistas contaram com 208,2 mil hóspedes e 472,9 mil dormidas, o que corresponde a quedas homólogas de 86,9% e 87,7%, respetivamente.

Com o País confinado, o que significa que não houve festividades de Carnaval, uma época que muitos fazem uma pequena escapadela, o mercado interno contribuiu com 329,9 mil dormidas, o que representou um decréscimo de 74,8% face a fevereiro do ano passado. As dormidas de não residentes foram de 143 mil, o que representa uma diminuição de 94,4%.

"Desde o início da pandemia, fevereiro foi o terceiro mês com maior redução do número de dormidas, tendo sido apenas ultrapassado por abril e maio de 2020 (-97,4% e -95,8%, respetivamente). As dormidas de residentes diminuíram 74,8% (-61,0% em janeiro) e as de não residentes recuaram 94,4% (-87,2% no mês anterior)", diz o gabinete de estatística.

Com o mês de fevereiro a registar uma queda de quase 90% tanto no número de hóspedes como em dormidas, os proveitos totais e de aposento afundaram. Os proveitos totais dos estabelecimentos de alojamento turístico ascenderam a 18,6 milhões de euros em fevereiro, menos 90,5% que no mesmo mês do ano passado, época em que a pandemia de covid-19 ainda não tinha chegado a Portugal. Os proveitos de aposento ascenderam a 14,3 milhões de euros, uma queda de 89,7% face ao mesmo período de 2020.

Os dados do gabinete de estatística indicam que o rendimento médio por quarto disponível (RevPAR) situou-se em 5,7 euros em fevereiro, diminuindo 80,1% face ao mesmo período de 2020. Já o rendimento médio por quarto ocupado (ADR) atingiu 47,2 euros em fevereiro, o que se traduziu numa variação de -27,9% (-20,0% em janeiro).

Um ano de pandemia

O INE compilou ainda os dados relativos a um ano de pandemia do novo coronavírus, ou seja, de entre março do ano passado e fevereiro de 2021. E neste período as unidades de alojamento turístico contaram com oito milhões de hóspedes de 20 milhões de dormidas, quebras na casa dos 71% face ao acumulado nos 12 meses anteriores.

O mercado interno, antes da pandemia, representa em média cerca de um terço da atividade turística nacional. Contudo, com a pandemia, foram sobretudo os residentes que suportaram a atividade. Ainda assim, as dormidas de residentes decresceram 44,1% e as de não residentes diminuíram 83,7% neste ano de pandemia face ao 12 meses anteriores, de acordo com o gabinete de estatística.

"Durante o primeiro ano de pandemia Covid-19, os proveitos atingiram 1,1 mil milhões de euros no total (-73,7%) e 863,3 milhões de euros relativamente a aposento (-73,5%), o que representou reduções de 3,2 mil milhões de euros e 2,4 mil milhões de euros face ao acumulado dos 12 meses anteriores, respetivamente".

(Notícia atualizada pela última vez às 11h31)

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