Web Summit 2019

Reciclar, para garantir que no próximo ano há coleção de moda

Stand da Coca-Cola na Web Summit (Filipe Amorim / Global Imagens)
Stand da Coca-Cola na Web Summit (Filipe Amorim / Global Imagens)

Indústria da moda e das bebidas está a colocar a sustentabilidade na agenda. E a tecnologia ajuda.

Duzentas e cinquenta toneladas de lixo plástico marinho foram recolhidas por voluntários de 84 praias em Portugal e Espanha e por pescadores de 12 portos, no projeto Mares Circulares da Coca-Cola. Lixo que foi transformado na Holanda em 300 garrafas de Coca-Cola, com 25% de plástico com esta origem. Algumas estiveram no stand da marca de bebidas na Web Summit. Um pequeno passo – algumas centenas de garrafas dos milhões vendidos anualmente pela multinacional -, mas que pode ser um salto gigante para uma indústria ambientalmente mais sustentável.

Os números são avassaladores. Estima-se que entre 1,15 e 2,41 milhões de toneladas de plástico entrem nos oceanos vindos dos rios, segundo os números do The Ocean Clean Up. Muito desse plástico também são garrafas de bebida. “Este é um passo muito importante porque se a indústria trabalhar em conjunto para termos soluções diferentes para transformar lixo marinho em algo que é valioso para a cadeia de valor de qualquer empresa, como a Coca-Cola, isso irá acabar com o problema do lixo, em particular com o lixo marinho”, acredita Ana Gascón Ramos, diretora de responsabilidade corporativa da Coca-Cola. O projeto está em piloto, mas a companhia quer avançar com este tipo de embalagem já em 2020.

A sustentabilidade ganhou expressão na cimeira tecnológica, com as companhias a apresentarem algumas das soluções que estão a desenvolver para atacar os problemas ambientais provocados pela sua atividade. Na moda, os sinais de alarme começaram a soar. E há motivos para isso. Em média compramos mais 60% de roupas do que há 15 anos, mas cada peça só fica no roupeiro metade do tempo. Mais preocupante, estima-se que 60% de todas as roupas produzidas sejam queimadas ou acabem em lixeiras, segundo a Fashion for Good.

“A indústria precisa de resolver estes problemas ou não terá materiais para fazer a próxima coleção”, disse Katrin Ley. Por isso, a responsável da Fashion for Good, uma plataforma de inovação para uma moda mais sustentável, defende que essa mudança passará por incluir mais materiais reciclados e usar a tecnologia nesse desenvolvimento. E há casos reais. Em São Francisco, a startup Mango Materials está a usar gás metano para criar fibras biossintéticas. Mas também em encontrar novas fontes de receita. “Talvez o negócio não seja a venda, mas o aluguer ou a revenda de roupas. Muitos negócios têm-se feito nestas áreas, a moda é a próxima fronteira.”

A H&M já está a experimentar na área da revenda – com uma parceria com a Sellpy, loja de roupas de segunda mão – promover a recolha de roupa nas lojas para reintroduzir materiais, como algodão, na cadeia de produção. Usar material reciclado tem um impacto expressivo. Um mero par de jeans exige entre cinco a dez mil litros de água para ser produzido. Valor pode ser reduzido em 20% de água e químicos se for usado algodão reciclado. Neste momento, 57% dos produtos da cadeia usam algodão reciclado e há objetivos de atingir 100% em 2030.

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