Regras do leilão de luz da Deco afastam empresas

A iniciativa da Deco para ajudar os consumidores de eletricidade a baixar a fatura terminou ontem com quase 600 mil inscritos, que são mais de 10% dos clientes que estão no mercado regulado. Contudo, nem esta volumosa carteira de consumidores foi suficiente para entusiasmar as empresas a aderir ao leilão que decorre amanhã e onde é suposto apresentarem ofertas de tarifa, ganhando a mais baixa.

“Analisadas as condições do leilão e a situação atual do mercado de energia, a Iberdrola não vai poder apresentar uma proposta que esteja em linha com as expectativas da Deco e dos consumidores”, disse ao DN/Dinheiro Vivo fonte oficial da empresa espanhola. E o mesmo se passou com a Gas Natural Fenosa, que também “não vai participar no leilão da Deco” porque, diz, “neste momento, esta iniciativa não se enquadra na estratégia da empresa para Portugal”.

Sobram, assim, três empresas – EDP, Galp e Endesa -, mas nenhuma delas confirma se vai ao leilão. A EDP escusou-se a comentar e remeteu para as declarações do CEO, António Mexia, na apresentação dos resultados anuais. “Qualquer leilão parece positivo, mas se há margem ou não, veremos”, disse na altura, acrescentando que o leilão será mais útil para “quem não tiver uma marca ou canais de distribuição”. Endesa e Galp dizem que ainda não sabem. “Não há decisão tomada”, disse o CEO da Galp, Ferreira de Oliveira, na apresentação das contas do trimestre, ressalvando que quer 200 mil clientes este ano.

A afastar as empresas estarão as condições que a Deco exigia, como poder rescindir-se quando se quiser e sem qualquer penalização, ou ainda os chamados custos de angariação que a empresa que vencer o leilão terá de pagar por cada cliente que aderir à tarifa oferecida.

Segundo apurou o DN/Dinheiro Vivo, a Deco estaria a pedir 15 euros por cada cliente ,o que, num universo potencial de quase 600 mil, pode representar um custo de nove milhões de euros. Contudo, não só nem todos os clientes irão aderir à tarifa como, diz a Deco, “não está garantido o pagamento desses custos”.

Aliás, a diretora de relações institucionais, Rita Rodrigues, garante que a associação não quis criar condições dissuasoras, mas apenas garantir que o consumidor recebe a melhor oferta e sem cláusulas abusivas. E a prová-lo está que, apesar de as “negociações terem sido duras, estão reunidas todas as condições para realizar o leilão”.

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