Regresso ao escritório: "Todos os CEO estão a falar de trabalho flexível"

O CEO da WeWork, Sandeep Mathrani, diz que há uma reversão na ideia do teletrabalho, à medida que alastra a "fadiga do Zoom"

Depois de mais de um ano com escritórios fechados e em teletrabalho, muitas empresas e trabalhadores estão a repensar o futuro e o regresso físico aos empregos. Foi o que disse o CEO da empresa de cowork WeWork, Sandeep Mathrani, numa sessão da conferência "O Futuro de Tudo", do Wall Street Journal, que decorre virtualmente até quinta-feira.

"Ninguém está a dizer que não quer ir trabalhar", disse o executivo. "Dizem que querem voltar ao escritório dois a três dias por semana, querem trabalhar da sua zona de conforto um ou dois dias, querem trabalhar de casa um dia", continuou.

Referindo-se aos vários estudos que têm sido divulgados sobre o tema, Sandeep Mathrani aludiu a uma certa reversão na forma como são pesadas as vantagens do teletrabalho.

"Há mais CEO a falarem de trazer as pessoas de volta para o escritório", frisou. "Há mais CEO a falarem de fadiga do Zoom", disse o responsável, citando o CEO do JP Morgan Chase, Jamie Dimon, que disse recentemente estar farto de reuniões virtuais. "O CEO da Zoom disse que ele próprio tinha fadiga do Zoom", sublinhou Mathrani, referindo-se a afirmações proferidas por Eric Yuan na semana passada.

O que se está a passar, segundo a perspetiva do CEO da WeWork, é a consciencialização de que o teletrabalho não substitui aspetos únicos do ambiente de escritório, como as trocas de ideias nos corredores e as opiniões improvisadas no decorrer de um projeto.

"Se queremos uma cultura inovadora e de colaboração, o escritório é uma parte importante do que se faz", afirmou Sandeep Mathrani.

Esta é uma perspetiva um pouco diferente da que se criou há mais de um ano, quando se iniciaram os confinamentos por todo o mundo e muitas empresas perceberam que podiam funcionar em teletrabalho. "Há uma mudança à medida que a fadiga aumenta e a produtividade diminui", caracterizou Mathrani.

"Hoje, todos os CEO estão a falar de trabalho flexível", afirmou. "Flexibilidade" e "trabalho híbrido" são expressões cada vez mais comuns entre os executivos que procuram a WeWork.

Segundo Mathrani, "toda a gente percebeu que tem de ir ao escritório." A dúvida é se as pessoas vão cinco vezes por semana ou três vezes por semana - não se vão ao escritório de todo.

O executivo também explicou que a forma como os trabalhadores reagem ao teletrabalho está relacionada com a ligação que têm à empresa. "Aqueles que estão muito envolvidos com a companhia querem voltar ao escritório alguns dias. Aqueles que estão menos envolvidos estão confortáveis a trabalhar de casa", disse.

A estatística pré-pandemia indicava que os escritórios eram usados no quotidiano por 65% de todos os trabalhadores, estando os restantes de férias, baixa ou em serviço externo. O regresso vai acontecer, mas agora as pessoas querem espaços diferentes, mais agradáveis, mais funcionais - que é o que a WeWork diz ter criado. Espaços abertos, mais limpos e com mais luz, incentivando a colaboração e mais fáceis de organizar.

"As coisas que a WeWork fez antes da pandemia são o que as empresas querem pós-pandemia."

Sandeep Mathrani assumiu o cargo de CEO a 18 de fevereiro de 2020, um mês antes do início do confinamento nos Estados Unidos, tomando as rédeas após sucessivos escândalos com o anterior líder, Adam Neumann. A empresa de cowork foi muito afetada nos primeiros meses da pandemia, que agravou ainda mais uma situação que já era caótica antes da crise sanitária e envolveu um IPO falhado. Mathrani está agora a trabalhar numa segunda investida.

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