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Reino Unido. Havas congela investimento no Google e YouTube

Fotografia: Reuters/ Mark Blinch
Fotografia: Reuters/ Mark Blinch

Decisão surge após vários anunciantes, incluindo o Governo britânico, terem retirado publicidade por terem anúncios ao lado de conteúdos extremistas

No Reino Unido o grupo Havas decidiu congelar o investimento publicitário no Google e no YouTube depois de anúncios dos seus clientes terem surgido ao lado de conteúdos online “questionáveis ou inseguros” e não ter obtido garantias do Google de que o seu conteúdo vídeo é classificado de forma suficientemente rápida ou com os filtros corretos. O Google já anunciou uma “revisão profunda” das suas políticas de publicidade, dando maior controlo às marcas sobre onde os seus conteúdos irão aparecer, o que deverá acontecer nas próximas semanas, prometem.

“Havas Group no Reino Unido tomou a decisão em nome dos seus clientes no Reino Unido, que incluem a 02, Royal Mail, BBC, Dominos e a Hyundai Kia, de congelar todo o seu investimento no YouTube e na rede display do Google até novas indicações”, disse o grupo em comunicado citado pela Ad Age.

Os anunciantes têm vindo a pressionar para um maior escrutínio do negócio digital, não só em termos de fraude, dados, como mais garantias de segurança para a marca online. A decisão da Havas, o sexto maior grupo de comunicação, surgiu depois das negociações com o Google terem falhado depois de o gigante não ter “conseguido fornecer garantias específicas e política e salvaguardas de que o seu conteúdo vídeo ou conteúdo display é classificado ou de forma suficientemente rápida ou com os filtros corretos”, explicou o grupo, citado pelo Guardian.

A decisão do grupo de comunicação surge depois de o Google ter sido obrigado a rever as suas políticas de publicidade após Governo britânico se ter juntado a uma série de entidades, como o Guardian, BBC e a Transport for London, e retirado a sua publicidade da plataforma, depois de anúncios terem sido exibidos ao lado de conteúdo extremista. O Google foi inclusive chamado pelo Governo e instado a a explicar “como vai entregar a elevada qualidade de serviço exigida pelo governo em nome dos seus contribuintes”, disse porta-voz do Executivo, citado pelo Guardian.

A World Federation of Advertisers também já aumentou a pressão tendo pediu que o Google e outros players digitais fossem mais vigilantes, depois de em fevereiro uma série de anunciantes, entre os quais a Hyundai, terem visto os seus anúncios serem exibidos ao lado de vídeos que pareciam promover atos terroristas.

O gigante Procter & Gamble, um dos maiores anunciantes a nível mundial, já deu sinal que vai apertar os cordões à bolsa caso os media digitais, as empresas de tecnologia ou outros players no mundo digital, não cumprem com os seus critérios. “Os dias de dar um passe livre ao digital acabaram”, disse Marc Pritchard, Chief Brand Officer da P&G, na reunião de janeiro da Association of National Advertisers.

Não se sabe ao certo o impacto que esta decisão da Havas terá ao nível de corte de investimento no YouTube e no Google. De acordo com o Guardian, só no Reino Unido o grupo Havas investe globalmente cerca de 500 milhões de libras (cerca de 576.888 milhões de euros) e cerca de 175 milhões de livras (202 milhões de euros) por ano.

Apesar da crescente pressão o grupo WPP, o maior grupo de comunicação a nível mundial, não se comprometeu com uma decisão semelhante à da Havas. “Temos sempre dito que o Google, Facebook e outros são empresas de media e têm as mesmas responsabilidades que outras companhias de media”, disse Martin Sorrell, CEO do grupo WPP, citado pelo Guardian. “Não se podem apresentar como empresas de tecnologia, especialmente se estão a colocar anúncios”.

“Começamos uma revisão aprofundada das nossas políticas de de publicidade e controlos de marca, e iremos fazer mudanças nas próximas semanas para dar às marcas mais controlo sobre onde os seus anúncios irão aparecer no YouTube e na rede de display do Google”, disse Ronan Harris, diretor geral do Google no Reino Unido, citado pelo Guardian. O ano passado o Google retirou cerca de 2 mil milhões de “maus anúncios”, retirou mais de 100 mil editores do seu programa de AdSense e impediu que anúncios fossem servidos em 300 milhões de anúncios YouTube.

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