Renault pede mais flexibilidade a operários

Fábrica de caixas de velocidade será neutra a partir de 2025. Administrador pede plano integrado para ajudar setor automóvel

Ou há mais flexibilidade dos trabalhadores ou há risco para o futuro a longo prazo da fábrica de componentes da Renault em Portugal. O aviso foi ontem deixado em Cacia pelo vice-presidente da área industrial do grupo francês, Jose Vicente de los Mozos. A fábrica de Cacia será uma unidade neutra em emissões a partir de 2025, graças à instalação de um sistema de painéis fotovoltaicos.

"Hoje, esta fábrica tem um problema de falta de flexibilidade e cada dia que paramos custa-nos muito dinheiro. Se queremos proteger o emprego, é muito importante termos isso. Não peço mais do que temos em Espanha, França, Turquia e Roménia", alertou Mozos numa mesa redonda depois de o Presidente da República ter visitado as instalações.

"Quando não há nada para fabricar porque tenho de pagar para não vir? E quando depois há necessidade de trabalhar um sábado, eu não posso trocar uma quarta em que não tenho produção durante dois meses? Porque tenho de pagar duas vezes?", exemplificou o gestor espanhol.

Para Mozos, a unidade de Cacia tem muito conhecimento técnico e capacidade de desenvolver novas soluções, que poderão colocar os mais de 1100 funcionários a fabricarem componentes para veículos elétricos.

No entanto, "se no mundo automóvel não se é competitivo e não melhorarmos isso no horizonte até 2035/2040, poderemos ter risco no futuro."

A caixa de seis velocidades JT4 é a estrela da unidade industrial do distrito de Aveiro e equipa modelos como Clio e Mégane (Renault) e ainda Sandero e Duster (Dacia). Só neste ano deverão ser fabricadas 500 mil exemplares.

Também em Cacia são fabricadas bombas de óleo para os mais variados modelos da Renault a nível mundial. Ao ponto de a marca dizer que "não há um carro em todo o mundo que não tenha pelo menos uma peça portuguesa".

Corte nas emissões

A Renault também pretende reduzir as emissões nas unidades de produção, passando a ser neutras em carbono a partir de 2030. A fábrica de Cacia vai atingir esse objetivo cinco anos antes, graças à instalação, já neste ano, de um sistema de painéis fotovoltaicos. O complexo conseguirá evitar a emissão de 1,8 mil toneladas de dióxido de carbono por ano.

A diminuição das emissões também depende da renovação do parque automóvel em Portugal. Mozos lembrou que, numa cidade como Lisboa, mais de 90% das emissões são provocadas pelos veículos antigos.

"Se queremos que as empresas cá invistam, então o Governo tem de ser amigo do automóvel. Portugal é um dos países com maior envelhecimento do parque automóvel. Quero respirar ar puro. A única forma de baixar as emissões no curto prazo é com um plano de renovação da frota, que deve ser a primeira prioridade de um Governo", exigiu o gestor.

O plano deve ser mais exigente e incluir investimentos para postos de carregamento, fábricas, requalificação dos trabalhadores e ainda investigação e desenvolvimento.

A ocasião serviu ainda para Marcelo Rebelo de Sousa condecorar um dos trabalhadores mais antigos da Renault, uma forma "original" de homenagear aquele que foi um dos primeiros investimentos estrangeiros no país no período pós-revolução.

Hipólito Rodrigues Branco é um dos funcionários fundadores da unidade de Cacia e foi apanhado de surpresa pela escolha do Presidente da República.

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