Energia

“Energias renováveis já são mais baratas do que as tradicionais”

António Sá da Costa, presidente da APREN
António Sá da Costa, presidente da APREN

O presidente da associação das renováveis antecipa que, tal como divulgado no estudo da REN 21, os países mais pobres invistam mais.

“Há um par de meses estive na Birmânia e estive em pequenas aldeias que não têm quase nada, não têm uma rede de eletricidade e estão completamente isoladas, mas têm pequenas instalações solares que servem para algum do consumo ou para carregar os telemóveis, porque podem não ter mais nada mas têm sempre telemóvel. É uma solução mais segura, porque o sol vem todos os dias”.

António Sá da Costa, o presidente da Associação Portuguesa de Energias Renováveis (APREN), testemunhou in loco aquilo que o estudo da REN 21 revelou na quarta-feira: que os países menos desenvolvidos e com menos dinheiro estão a investir mais em renováveis que os países mais desenvolvidos.

“Isto só vem provar que as energias renováveis já são mais baratas que as tradicionais. Podemos tentar convencer os mais céticos e nunca vamos conseguir, mas aqui está a prova”, disse ao Dinheiro Vivo.

Aliás, para este especialista em energia, esta tendência vai continuar precisamente porque as renováveis são cada vez mais uma alternativa nestes países porque permitem fazer os investimentos de forma faseada. “Se um país com menos dinheiro quiser construir 400 MW, com uma central a gás ou carvão gasta logo muito de uma vez, mas com as renováveis pode ir fazendo 30 MW, depois mais 20 MW, à medida que vai tendo disponibilidade”, explica.

Sá da Costa estima mesmo que esta situação registada em 2015 se vai “enfatizar” com o crescimento do número de instalações solares, não só porque os painéis estão mais baratos, mas também por causa do auto consumo, que permite fazer instalações mais pequenas que não precisam de ligação à rede e são de montagem quase imediata.

Além disso, diz, já havia alguma expectativa que isto pudesse acontecer, porque na Europa, por exemplo, “já se fez muitas renováveis e portanto o crescimento será sempre menor daqui para a frente”.

“Em Espanha, há três anos que não se faz um MW eólico por causa da perda de apoios. E a Polónia, por exemplo, não está interessada em deixar o carvão”, repara. Até em Portugal se investe menos. “O ano passado fizeram-se 200 MW eólicos e este devem fazer uns 140 a 160 MW, mas neste momento mais de metade da nossa produção, da energia que injetamos na rede, já em renovável e portanto falta-nos fazer menos do que já se fez. As taxas de crescimento são menores”, diz.

No total, Portugal tem 12 GW de centrais renováveis num total de 18 GW de instalações elétricas. Destes seis GW são barragens, cinco são eólicas, 600 MW são biomassa e 450 MW são solar.

Ou seja, Sá da Costa prevê que os países desenvolvidos vão continuar a investir, apenas a um ritmo mais lento. Na Europa, por exemplo, a Alemanha vai desactivar centrais a carvão e vai precisar de renováveis para as substituir. E os EUA continuam a investir muito e a dar apoios fiscais.

É, por isso, que o presidente da APREN não estranha também outra das conclusões do estudo da REN 21: que o investimento em renováveis nunca foi tão elevado – quase 300 mil milhões de euros em todo o mundo.

Não só porque os países desenvolvidos vão continuar a investir, mesmo que menos ou a um ritmo mais lento, e porque os países menos desenvolvidos – que antes não gastavam dinheiro nestas tecnologias – estão agora a começar a optar pelas renováveis.

“Este ano vamos bater novamente recordes. Estamos numa fase de crescimento”, rematou.

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