Energia

Pela primeira vez, os países mais pobres investiram mais nas renováveis

(DR)
(DR)

Dos 257 mil milhões de euros que se gastaram em renováveis, segundo a REN 21, 140 mil milhões foram nos países em desenvolvimento.

Não foi assim há tanto tempo. Até 2013, as renováveis eram uma coisa dos países ricos ou desenvolvidos, principalmente da Europa, que era a maior investidora do mundo.

Mas nesse ano, a China ultrapassou o velho continente e despertou o interesse dos outros países com menos dinheiro e mais dependentes das energias fósseis. Foi de tal forma que, pela primeira vez em 2015, os países em vias de desenvolvimento investiram mais em renováveis que os países ricos.

De acordo com um relatório divulgado, esta quarta-feira, pela REN 21, uma coligação internacional de governos, associações e instituições financeiras, o ano passado os chamados países desenvolvidos – Europa ou EUA – investiram 116,7 mil milhões (130 mil milhões de dólares) em renováveis, enquanto as nações em vias de desenvolvimento aplicaram 140 mil milhões de euros (156 mil milhões de dólares). Aqui incluem-se países como a China e outros países da Ásia, como a Tailândia ou Indonésia, mas também a Índia, o Brasil e África.

Aliás, o investimento realizado em 2015 em África e no Médio Oriente – o primeiro muito rico em carvão e petróleo e o segundo em petróleo – foi o que mais cresceu em 2015 atingindo agora os 11,2 mil milhões de euros. E se se tiver em conta o PIB, os maiores investidores foram países mais pequenos e até inesperados como o Uruguai, a Mauritânia, as Honduras ou a Jamaica.

Contas feitas, diz o estudo da REN 21, o investimento em renováveis atingiu o maior valor de sempre: 257 mil milhões de euros ou 286 mil milhões de dólares (não incluindo as barragens com mais de 50 MW de capacidade). Ou 295 mil milhões de euros contando com estes projetos.

investimento global em renovaveis

“O que é verdadeiramente notável acerca destes resultados é que eles foram alcançados numa altura em que os preços dos combustíveis fósseis atingiram níveis historicamente baixos e as renováveis mantiveram-se em situação de considerável desvantagem em termos de subsídios governamentais”, disse a secretária executiva da REN 21, Christine Lins, através de comunicado.

E acrescenta, aqui citada pela BBC: “Isto mostra claramente que os custos desceram tanto que as economias emergentes estão mesmo focadas nas renováveis. Elas são as que têm as maiores necessidades de energia e esta reviravolta é realmente um desenvolvimento notável”.

Europa deixa de ser a estrela

Entre 2005 e 2017, a Europa foi a que mais investiu em energias renováveis. Em 2011, que foi o ano em que mais gastou neste sector, foram aplicados 122,9 mil milhões de euros. Mas daí para a frente, com os cortes dos governos aos subsídios e com a crise a fazer o consumo recuar, o velho continente começou a perder o interesse e o investimento caiu quase a pique.

Ao mesmo tempo que a Europa ia investindo menos, a China ia colocando cada vez mais dinheiro e em 2013 tornou-se no país do mundo que mais investe em renováveis. O ano passado, só a China foi responsável por mais de um terço do total investido – 102,9 mil milhões de euros – e a Europa não gastou mais do 48,8 mil milhões de euros.

Foi uma quebra de 21% e o suficiente para ser ultrapassada pelos países da Ásia – sem a China, mas incluindo a Índia – que no total investiram 57,8 mil milhões de euros.mapa de investimento

O sol nunca brilhou tanto

De todas as tecnologias renováveis, a solar foi a que atraiu mais investimento em 2015, mais precisamente 144 mil milhões de euros (161 mil milhões de dólares). Mais do que todas as outras tecnologias juntas.

investimento por tipo de energia

Não é, por isso, de admirar que a EDP Renováveis esteja a olhar a sério para os projetos de energia solar e pretenda que 10% do total de MW que prevê construir por ano seja neste tipo de tecnologia.

Além disso, em Portugal, foram as barragens da EDP – que ficam todas prontas em 2017 – o solar é o que está a ter cada vez mais destaque e é, praticamente o único investimento que se faz em renováveis no país, dado que pode ser feito sem recurso a apoios do Estado, através de sistemas de auto consumo.

Além disso, neste momento, as renováveis que existem no país têm chegado – e sobrado – para o consumo que existe, que tem estado a cair há já três anos. Aliás, este ano as renováveis estão a ser responsáveis por mais de 90% de toda a energia consumida.

 

Comentários
Outras Notícias que lhe podem interessar
Outros conteúdos GMG
Hoje
Presidente do Conselho de Finanças Públicas (CFP), Nazaré da Costa Cabral. MANUEL DE ALMEIDA/LUSA

Linhas de crédito anti-covid ainda podem vir a pesar muito nas contas públicas

Fotografia: Fábio Poço/Global Imagens

Apoio a rendas rejeitado devido a “falha” eletrónica

A ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, Ana Mendes Godinho. RODRIGO ANTUNES/LUSA

Só 789 empresas mantiveram lay-off simplificado em agosto

Pela primeira vez, os países mais pobres investiram mais nas renováveis