Repsol corta mais de mil milhões de euros em investimentos

Com o petróleo abaixo do patamar dos 30 dólares no final de março, empresa espanhola vai reduzir investimentos e gastos operacionais em 2020.

A petrolífera Repsol vai adotar medidas que implicarão, este ano, reduções adicionais de mais de 350 milhões de euros nas despesas operacionais e mais de 1.000 milhões em investimentos, devido à queda, em março, dos preços do petróleo.

Estas iniciativas por parte da petrolífera espanhola surgem devido ao impacto que a crise de saúde está a ter na economia e numa "situação de excesso de oferta que não se regista há décadas que traz consigo as alterações dos preços do petróleo", disse o presidente da Repsol, Antonio Brufau, na assembleia geral de acionistas, realizada esta sexta-feira em Madrid por videoconferência.

Tudo isso ocorreu depois de "um 2019 com dinâmica suficientemente desafiadora", mas que "foi superada de forma imprevisível" no primeiro trimestre do ano, com os preços do Brent, nos últimos dias de março, a ficaram abaixo dos 23 dólares por barril, lembrou ainda o gestor.

O "Plano de Resiliência para 2020" da Repsol, além de contemplar iniciativas de cortes adicionais nas despesas operacionais e nos investimentos, prevê também "otimizações de capital circulante" em cerca de 800 milhões de euros, face às métricas inicialmente propostas, para que seja possível enfrentar as circunstâncias adversas.

"A Repsol demonstra há muitos anos que é uma empresa resiliente, capaz de ter sucesso em contextos desfavoráveis. Na atual situação de queda de preços e crise da covid-19, todas as equipas passaram a implantar mais uma vez todos os mecanismos de que dispõem para enfrentar este enorme desafio", disse Imaz aos acionistas.

O presidente da Repsol referiu ainda que a aplicação do plano para enfrentar a envolvente adversa em 2020 vai permitir, por um lado, "remunerar os acionistas" e, por outro, atingir "a meta de ser uma empresa com zero emissões líquidas em 2050".

A Repsol pretende prosseguir no "caminho da transição energética", como fornecedora de várias energias para um modelo de baixas emissões, estando confiante que "o primeiro passo será dado este ano", cumprindo o objetivo de reduzir o indicador de intensidade de carbono em 3%.

Entre outras propostas, os acionistas aprovaram uma remuneração de 0,55 euros por ação, em substituição do que seria o tradicional dividendo complementar, que está previsto para julho deste ano sob a fórmula de 'scrip dividend' (pagamento do dividendo em ações em vez de ser em dinheiro).

Com este valor, a Repsol cumpre, apesar do contexto adverso, com o compromisso de remuneração do ano 2020 assumido no plano estratégico em vigor.

Além disso, a assembleia geral de acionistas também autorizou a manutenção este ano da redução do capital da Repsol através da amortização de ações próprias, visando diluir o 'scrip dividend'.

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