Escândalo Volkswagen

Reputação do ‘made in Germany’ não será afetada pelo escândalo Volkswagen

Sociólogo acredita que a ligação emocional à empresa é "perigosa"
Sociólogo acredita que a ligação emocional à empresa é "perigosa"

O especialista alemão em sociologia das organizações Marcel Schuetz diz que o escândalo da Volkswagen deixou uma "onda de histeria e ultraje" mas acredita que a reputação da restante produção alemã não está em risco.

“As pessoas estão furiosas mas a Alemanha tem marcas com muita procura em todo o mundo, é improvável que a reputação do ‘Made in Germany’ seja afetada”, explicou o sociólogo alemão, em declarações à Lusa, a propósito do escândalo de manipulação de emissões poluentes do grupo Volkswagen, que teve um efeito negativo na produção de motores, na imagem da empresa e contribuiu para perdas nas bolsas internacionais.

Marcel Schuetz explicou que o escândalo da Volkswagen não é caso único e este género de desastres empresariais já foi investigado no campo da sociologia organizacional, referindo-se à teoria da “ilegalidade útil” estudada pelo académico alemão Niklas Luhmann: “o que é útil é tolerado e a fraude foi extremamente útil para a Volkswagen durante anos”, rematou Schuetz.

O sociólogo referiu que a Alemanha é conhecida como “a terra dos carros” e há uma popularidade associada à “energia verde” que é contraproducente à indústria automóvel.

“Os fabricantes iludiram uma sociedade que está obcecada com o transporte ilimitado e sustentável mas, no fundo, ninguém fala das mortes provocadas pela poluição”, acrescentou.

O sociólogo acredita que os próximos passos do grupo Volkswagen vão passar por “livrarem-se de alguns gestores anónimos” e pot várias “táticas políticas simbólicas e distrativas”.

Schuetz declarou que “muitos dos trabalhadores do grupo Volkswagen se sentem frustrados e desiludidos” porque se identificam com a marca devido a boas condições de trabalho potenciadas pelo grupo.

O sociólogo acredita que a ligação emocional à empresa é “perigosa” sobretudo porque estão em causa possíveis despedimentos e medidas de austeridade.

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