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Retail Consult. Tecnológica do Porto reforça presença no mundo

Sílvia Gomes, sócia fundadora da Retail Consult. Fotografia: André Rolo/Global Imagens
Sílvia Gomes, sócia fundadora da Retail Consult. Fotografia: André Rolo/Global Imagens

A Retail Consult está em constante crescimento. Precisa recrutar 50 recém-licenciados, mas debate-se com a falta de talentos disponíveis no país.

A Retail Consult, empresa especializada em soluções digitais para o setor do retalho, ganhou um contrato de 8 milhões de dólares (cerca de 6,8 milhões de euros), um dos maiores até ao momento, para instalar software de gestão na Makro da América do Sul. A tecnológica portuguesa vai desenvolver o seu trabalho com a grossista ao longo de cinco anos.

A Makro da América do Sul é apenas um dos vários clientes internacionais que constam do portfolio da Retail Consult. A empresa, que desenvolve soluções digitais para o retalho com base na plataforma de aplicativos da Oracle Retail, trabalha para empresas como a Ahold, nos EUA, a Selfridges, em Inglaterra, a Desigual, em Espanha ou o Grupo Martí, no México. Em Portugal, a Sonae e a Parfois também são clientes.

A Retail Consult, constituída em 2011 – em plena crise -, nasceu global. Logo no ano de arranque instalou a sede em Portugal, no Porto, e abriu escritório nos Estados Unidos para responder ao primeiro cliente: a Ahold. “Portugal é muito pequeno” e, por isso, “desenvolvemos a estratégia de crescimento para além-fronteiras”, frisa Sílvia Gomes, sócia fundadora da Retail Consult.

Desde a primeira hora, a expansão da empresa fora das portas domésticas e o crescimento nas vendas foram uma realidade. Hoje já marca presença na Alemanha, Brasil, México e Chile. E se no primeiro ano gerou vendas de dois milhões de euros, as estimativas para o atual exercício apontam para 25 milhões. No ano passado, só 32% das vendas foram geradas em Portugal. Os lucros chegaram desde o ano de arranque.

Ainda assim, Sílvia Gomes adianta que em 2018 o crescimento será menos acentuado, porque decidiram olhar para dentro e “consolidar a operação e os processos, e implementar uma nova organização, com novos departamentos”.

Mas a estratégia de apostas está delineada e centrada na Alemanha, Brasil, México e Chile. Segundo Sílvia Gomes, a Alemanha, onde já têm escritório desde 2012, tem sido um mercado difícil de entrar devido, essencialmente à concorrência das soluções da SAP Retail (empresa alemã concorrente da Oracle Retail), mas evidencia “elevado potencial”. Por isso, a tecnológica portuguesa continua a batalhar neste país e a procurar clientes também nos países nórdicos, que detêm importantes grupos de retalho. Em simultâneo, os esforços de internacionalização estão direcionados para o Brasil, que também serve de hub para a América Latina, com foco no México e Chile.

Dificuldades na atração de talentos

A Retail Consult, que conta com quase 300 colaboradores, está em permanente recrutamento. Como sublinha Sílvia Gomes, o “setor está em ebulição” e isso traduz-se “em problemas de atração, mais do que de retenção”. A empresa está à procura de 50 recém-licenciados na área da informática, exigindo que falem inglês e tenham disponibilidade para viajar. “Mas não há talento nas universidades para atrair”, já não basta “contactar finalistas, é preciso ir antes”, diz.

A tecnológica portuense introduziu um conjunto de instrumentos de retenção, nomeadamente a criação de um fundo, alimentado anualmente com 10% dos resultados, para distribuir aos colaboradores. O dinheiro atribuído a cada exercício é retido por três anos. A distribuição de ações segundo critérios de performance é outra das medidas.

A Retail Consult, que se define como uma boutique de sistemas de informação e gestão para o retalho, tem um modelo de negócio assente em jovens talentos. Por isso, a formação contínua é também uma aposta da empresa. A Retail Academy foi criada desde a primeira hora com o objetivo de formar os jovens talentos na área do retalho e dar apoio na progressão da carreira.

A empresa surgiu da insatisfação de seis empreendedores com o mercado. “Os projetos eram muito demorados e demasiado caros, os salários estavam a subir e o preço dos serviços ressentia-se. Os clientes reclamavam melhores serviços e mais baratos”, conta Sílvia Gomes. Decidiram pôr mãos à obra e com uma equipa de 15 profissionais com forte conhecimento da área, a que juntaram, um grupo de recém-licenciados, iniciaram esta viagem.

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