Retalho em Portugal registou mais de mil milhões de investimento em 2020

O ano passado foi marcado pelo aumento de transações de unidades alimentares reflexo do impacto do período de confinamento, destaca a Savills.

Apesar da pandemia, o setor o retalho o ano passado registou em Portugal um volume de investimento superior a mil milhões de euros. A venda de 50% do Fundo Sierra às seguradoras Allianz e Ello, por um valor estimado de 750 milhões, protagonizou a maior transação do ano no setor, destaca a Savills.

O ano passado foi marcado pelo aumento de transações de unidades alimentares reflexo do impacto do período de confinamento, destaca a imobiliária. No total, foi registado um investimento superior a 120 milhões com venda de unidades alimentares e stand-alones , dos quais 99 milhões em operações de sale&leaseback de portefólios de supermercados.

"Com a nova realidade, o consumo, os clientes e a oferta adaptaram-se. A obrigação e vontade de ficar mais em casa, em teletrabalho e na vida quotidiana, fez com que o consumo mudasse. As pessoas comem em casa, redecoraram as suas casas, compram on-line. Este novo modo de vida, fez com que o retalho alimentar, o DIY, a decoração e as entregas on-line tenham tido um "boom" em 2020 e que continuará. Algumas marcas destes setores de atividade, tiveram o seu melhor ano de sempre, tendo inclusivamente tido menos custos de operação", refere Luís Vieira, diretor de retalho da Savills Portugal, citado em nota de imprensa.

"O investimento observado, mostra a clara aposta em readaptar e expandir estes setores. Esta rápida adaptação, fez também com que estas empresas se tenham libertado do "peso" dos seus ativos, em operações de Sale&Leaseback, assegurando contratos de arrendamento de longa duração e capital disponível para continuar a sua rápida expansão", refere ainda.

Procura pelo retalho alimentar impulsiona setor

No mercado europeu, não obstante o impacto da pandemia no retalho - que ditou o fecho das lojas físicas durante longos períodos o investimento no setor manteve-se estável nos primeiros três trimestres do ano, com os volumes a ascenderam a 20,9 mil milhões de euros, em comparação com os 20,8 mil milhões em 2019.

"A oferta do produto tem sido impulsionada por investidores que procuram reduzir a sua exposição ao setor do retalho e por proprietários-ocupantes que tentam mobilizar capitais através de operações de sale&leaseback. Adicionalmente, a atividade de investimento tem sido fortemente sustentada pela procura no setor retalhista alimentar e de conveniência, um segmento em que os lucros dispararam durante o confinamento", justifica Eri Mitsostergiou, diretor europeu da área de research da Savills, citado em nota de imprensa.

O retalho manteve a quota do volume total investido no setor imobiliário na região (17% face a uma média de 18% durante cinco anos), sendo que durante o confinamento, os volumes de negócio do setor retalhista alimentar registaram uma forte subida, enquanto no período pós-confinamento, os Retail Parks revelaram-se mais resilientes.

"Os supermercados e as lojas de conveniência (incluindo os Retail Parks) lideraram as listas de compras dos investidores no ano corrente e a combinação das transações representa 40% da atividade total de retalho desde o início de 2020 face a 22% em 2013", destaca a consultora imobiliária. Enquanto, os "centros comerciais representaram 44% da atividade total de investimento no retalho em 2013 e a respetiva percentagem diminuiu para 25% em 2020, o que reflete o verdadeiro revés da sorte acelerado pela pandemia".

As transações em supermercados foram muito superiores à sua média de cinco anos na Alemanha (+197%), em Espanha (+120%), na Polónia (+64%) e em Itália (+76%), com os "volumes de investimento nos supermercados e nas lojas de conveniência na Europa já aumentaram 40%, no trimestre corrente até à data, face ao período homólogo".

"No ano corrente, os supermercados e o mercado de conveniência revelaram-se mais resilientes do que quaisquer outros segmentos de retalho, apesar de não estarem imunes ao aumento do comércio eletrónico, tendo a pandemia provado que têm de inovar," refere Eri Mitsostergiou.

"Os retalhistas inteligentes, que irão sobreviver e, provavelmente, prosperar após a pandemia, têm sido capazes de otimizar a sua oferta omnicanal e a sua cadeia de abastecimento, a fim de prestar melhores serviços de comércio eletrónico, disponibilizando lojas de conveniência em zonas urbanas e modernizando as suas lojas por forma a proporcionar um serviço melhorado de consumo no local - um conceito conhecido como grocerants".

"É com confiança que prevemos, em 2021, uma correção significativa dos preços em baixa no setor, o que será suficiente para evidenciar o prémio de risco retalhista sobre outras classes de ativos e, por conseguinte, atrair investidores capazes de aproveitar as oportunidades," afirma Oli Fraser Looen, codiretor da equipa de Consultoria de Investimentos Regionais da Savills, EMEA, citado na mesma nota de imprensa.

"Na segunda metade do próximo ano, assistiremos, sem dúvida, à realização de alguns negócios interessantes no setor do retalho e a uma vaga de transações de sale&leaseback no setor retalhista alimentar", conclui.

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