Ricciardi. “Não imaginei que a situação fosse tão má”

Antigo presidente do BESI diz-se “perplexo com a dimensão e profundidade das fraudes” no caso do BES.

José Maria Ricciardi, antigo presidente do Banco Espírito Santo de Investimento (BESI) e primo de Ricardo Salgado, surge como testemunha arrolada pelo Ministério Público na acusação. Considera que está a ser feita justiça no caso BES. Mas lamenta que não tenham sido levadas mais a sério as suas ações em 2013, para retirar Salgado da liderança do grupo.

Está satisfeito com o desfecho da investigação ao que aconteceu no Grupo GES, tanto no que lhe diz respeito como em geral?

Da minha parte esperava este resultado. Sei muito bem como sempre me conduzi. Em relação ao que sabemos, não paro de ficar perplexo com a dimensão e profundidade das fraudes e crimes que estão alegadamente em causa. Fico absolutamente impressionado com a dimensão. Por um lado, eu sei que tinha razão quando em 2013 propus a substituição de Ricardo Salgado e a alteração do governo do grupo. O grupo não tinha escrutínio nem tinha “checks and balances” (separação de poderes). Havia movimentos de capitais e não eram controlados. Ricardo Salgado tentou colocar na opinião pública a ideia de que se tratava de uma luta de poderes e que eu só queria ocupar o seu lugar, o que é absolutamente falso. Não imaginei que a situação fosse tão má.

Suspeitou do que estava a acontecer?

Àqueles que dizem que eu devia saber o que se passava no grupo por estar dentro dele apenas tenho a dizer que - e peço desculpa pelos termos - são uns verdadeiros idiotas. Se o Ministério Público, com os meios de investigação que tem - cartas rogatórias etc. - e a colaboração da CMVM e do Banco de Portugal, leva 6 anos a investigar, era eu que ia descobrir isto?

Sente que está a ser feita justiça para todos os que foram lesados com a queda do grupo, dos trabalhadores aos clientes e investidores?

Sinto, mas com algumas considerações. Se se tivesse feito algo em 2013, muita gente que foi prejudicada… muito provavelmente podia ter-se minorizado os danos. No meu caso, sim. Foi feita justiça. Eu fiquei a liderar um banco, aliás.

Sobre o que se passa com o Novo Banco, como vê a situação?

O que se passou com o BES não explica estas incongruências. Quando o NB foi criado e nos anos seguintes as contas foram aprovadas sem reservas acerca das imparidades. Com a venda à Lone Star tudo se modificou. Ainda para mais, a economia cresceu e o setor imobiliário recuperou, pelo que os ativos que estavam no NB valorizaram. Acho que, no mínimo, o que se passa é um bocadinho difícil de explicar.

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