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Rice Me. Do arroz doce ao restaurante com certificação glúten free

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“Sou uma fazedora crónica”, diz Renata Militão. A ideia para o seu restaurante surgiu em Nova Iorque. 13 anos depois, aposta num conceito inovador

Renata Militão nunca teve o sonho de criar o Rice Me, restaurante de pratos de arroz, 100% seguro para celíacos e pessoas com intolerância ao glúten, que em 2016 abriu portas na zona do El Corte Inglés, em Lisboa. Estava, aliás, muito longe dessa ideia e também de Portugal quando passeava com a família em Nova Iorque e dá de caras com uma loja de arroz doce. “Parecia uma gelataria, com todos os sabores expostos” – contou-nos a especialista em marketing e publicidade com 34 anos. Mas ali não se vendiam gelados, mas sim arroz doce de coco, manga, tiramisu, chocolate e outros aromas. Será que em Portugal, onde o arroz doce é das sobremesas mais populares, este conceito teria pernas para andar? O entusiasmo já não largou Renata, os pais e a irmã, e a ideia ficou no ar desde aquela viagem há 13 anos.

De volta a Lisboa, Renata dedica os anos seguintes à carreira que começou no Life Cooler. Passou pela Time Out e Universidade do Porto, onde deu aulas de Inteligência Emocional. Até que há cerca de quatro anos a família voltou a pensar na ideia do arroz. Era importante agradar a todos e não só ao mercado que consome glúten free (alimentos sem trigo, centeio e cevada) porque está na moda. A marca da certificação pela Associação Portuguesa de Celíacos vem garantir que o Rice Me é amigo dos doentes celíacos – não há contaminação cruzada na cozinha, por exemplo.

“Os primeiros tempos foram de desgaste total”, com as obras de raiz, a escolha do menu e a contratação da equipa. “A nossa tendência é para escolhermos pessoas com quem nos identificamos e isso é um erro”, adverte. No seu caso escolheu pessoas empreendedoras que não demoraram a sair de livre vontade para montarem projetos próprios, por exemplo. Hoje descobriu que o segredo é escolher pessoas que a complementem e apostar na diversidade. É por isso que integra na sua equipa de 11 pessoas experiências e idades diferentes.

“Enquanto muitas pessoas têm o complexo da folha em branco eu não gosto da folha escrita”, diz Renata. Quando os projetos arrancam e entram em velocidade de cruzeiro começa a pensar em apanhar outro barco. “Sou uma fazedora crónica” admite entre olhares cúmplices com a mãe, que acaba de se sentar ao seu lado. Enquanto Renata é a estratega e a mestre da operação, a mãe Dália Simões encarrega-se na contabilidade, gestão de fornecedores e stocks.

Chegaram os pratos. Massa de arroz com vegetais, arroz negro com bacalhau e geleia de pimento e arroz vermelho com caril de grão. O aspeto é gourmet, os ingredientes frescos e comprados sempre que possível a fornecedores nacionais: o arroz carolino vem da associação de produtores de arroz da Comporta, a carne é de um talhante do Ribatejo e as compotas são caseiras da Quinta da Torre em Santarém.

O projeto foi financiado com um empréstimo bancário de 175 mil euros, mas para isso a família teve de dar 50 mil de garantia bancária. O estudo de mercado e o plano de negócio, feitos pela própria, determinaram a concessão do seguro de crédito e do empréstimo. Apesar do valor pedido ter sido 200 mil euros, no final, a banco só concedeu 175 mil euros “porque parece que nunca dão tudo o que se pede.”

Esta foi uma lição aprendida, bem como a importância de fazer previsões financeiras realistas e de se estar preparado para os custos serem superiores ao esperado (não esquecer os custo de manutenção com a substituição frequente de pratos, copos e talheres). Outros conselhos que mãe e filha deixam aos leitores do Dinheiro Vivo são não ter uma carta muito extensa e ter ingredientes comuns a vários pratos para evitar o desperdício.

O projeto está a correr bem: o ano de 2017 terminou com 580 mil euros de faturação e para o ano esperam fechar com pelo menos uma subida de 10%. Já o retorno do investimento inicial deve chegar em cinco anos. Quando o custo com os ingredientes na produção alimentar ultrapassa o desejado, Renata não hesita em cortar na sua margem para manter a qualidade e garantir, por exemplo, que os cogumelos Portobello nunca saiam da ementa.
Sinal de que o arroz é rei é a notícia de última hora: até final deste ano, a empreendedora espera abrir o seu segundo restaurante com o dobro do tamanho na zona do Rato em Lisboa.

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