falência

Ricon perto do fecho deixa 600 no desemprego

(Leonardo Negrão / Global Imagens)
(Leonardo Negrão / Global Imagens)

Têxtil. Administrador nomeado pelo tribunal diz que o fornecedor e distribuidor da Gant em Portugal é “economicamente inviável”

Sem solução. O grupo Ricon “não é economicamente viável” e deve encerrar as suas operações e despedir os seus cerca de 600 trabalhadores. Esta é a proposta que o administrador de insolvência nomeado pelo Tribunal de Vila Nova de Famalicão, Pedro Pidwell, leva às assembleias de credores das várias empresas do grupo, representante em Portugal da marca Gant, que arrancam amanhã. Também a rede de retalho, constituída por cerca de 20 lojas, “terá que encerrar e despedir todos os trabalhadores”, já que, com a cessação da parceria com a Gant, se torna “economicamente inviável e vazia de objeto”. Só num dos processos (são 8 em tribunal), os credores reclamam mais de 32 milhões de euros.

Segundo o relatório do administrador, a que o DN/Dinheiro Vivo teve acesso, a multinacional sueca “declinou todos os ‘ângulos de entrada’ que lhe foram apresentados”, que pela administração do grupo Ricon quer pelo próprio administrador judicial, “recusando participar em qualquer solução que permitisse salvaguardar a continuidade da atividade da empresa e que permitisse a não liquidação do grupo”. Pedro Pidwell especifica, mesmo, que a Gant foi “intransigente”, rejeitando “liminarmente” todos os cenários de reestruturação que lhe foram apresentados, fosse por via da sua entrada direta na operação, fosse pela entrada de investidores terceiros ou, sequer, mediante a reestruturação da dívida existente.

Assim, terão de ser despedidos os trabalhadores – 580, no total, segundo as contas de Pedro Pidwell, sendo 200 da rede de retalho e 380 da vertente industrial -, e será proposta a “liquidação do acervo patrimonial”. O documento inclui, ainda, a lista provisória de credores, bem como o inventário do património das empresas insolventes. São oito no total e todas se apresentaram à insolvência no início de dezembro, tendo o tribunal decidido juntá-los todos no processo da casa-mãe, a Nevag SGPS. A primeira assembleia de credores está marcada para dia 30, às 9h30, seguindo-se as restantes na quarta e quinta-feira.

Contactada, a Gant, multinacional sueca, recusou comentar a situação da Ricon, sublinhando apenas que a lojas de comércio eletrónico da marca em Portugal são operada pela sede “e não será afetada pelas dificuldades financeiras” do distribuidor português. A multinacional recusou tecer também qualquer comentário sobre o seu eventual interesse em ficar com a rede de lojas em Portugal.

Na lista de credores, ainda provisória, de uma das empresas são reclamados mais de 32 milhões de euros, cinco milhões dos quais pelo grupo Gant. A banca é o principal credor , com mais de 16 milhões de euros em dívida. A Segurança Social reclama mais de 60 mil euros, o fundo de pensões do Banco de Portugal quase 63 mil e a EDP quase 30 mil euros, entre muitos outros.

No relatório que amanhã será discutido pelos credores, Pedro Pidwell aponta ainda o dedo à empresa de factoring Eurofactor que, “apesar de ter a totalidade dos créditos sobre a insolvente cobertos por seguro de crédito” se mostrou “totalmente intransigente” e se recusou a libertar parte dos valores retidos para que a empresa se pudesse manter em atividade e “cumprindo as suas obrigações mínimas”, designadamente com os trabalhadores.

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