Energia

Rivais da EDP aproveitam OPA chinesa para ganhar clientes

Em março, a Endesa e Iberdrola viram crescer as suas quotas de mercado em termos de números de clientes. EDP continua isolada na liderança.

Principais concorrentes da EDP no mercado liberalizado, em termos de quota de mercado e número de clientes, empresas como a Galp, a Endesa, a Iberdrola e até a Goldenergy estão atentas aos desenvolvimentos da Oferta Pública de Aquisição (OPA) lançada pela China Three Gorges à elétrica portuguesa. E apesar da tese de OPA concorrente por parte das gigantes europeias estar a perder força, surgem indicações de que tanto a Iberdrola como a Endesa podem estar já a negociar com a CTG um acordo para comprar vários ativos da EDP, em caso de desmantelamento do grupo.

“As empresas concorrentes estão a acompanhar OPA com atenção. Podemos ver ou não ações mais ou menos agressivas das empresas para captar novos clientes”, admitiu ao Dinheiro Vivo fonte do setor da energia.

De acordo com o mais recente relatório da Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE), em março de 2018 a EDP Comercial manteve a sua posição como o principal operador no mercado liberalizado em número de clientes (83% do total) e em consumos (cerca de 42% dos fornecimentos). No entanto, e face a fevereiro, a quota da EDP diminuiu 0,3 pontos percentuais em número de clientes. Já a Endesa (4,9%) e a Iberdrola (3,3%) viram as suas quotas de mercado avançar em 0,2 pontos percentuais em número de clientes. Outros comercializadores, como a Galp (5,2%) e a Goldenergy (1,8%) mantiveram as suas quotas.

Já para os clientes da EDP, a mesma fonte não acredita para já num impacto no serviço prestado ou nas contas da luz. A EDP não informou os clientes sobre a OPA, nem está obrigada a fazê-lo. O Dinheiro Vivo sabe que a empresa liderada por António Mexia não enviou ainda qualquer comunicação por escrito (carta, e-mail ou sms) sobre a OPA aos mais de quatro milhões de clientes em mercado liberalizado nem aos clientes do serviço universal (cerca de um milhão).

“A avançar, as decisões pós-OPA seriam tomadas num prazo entre 6 meses a um ano, O estabelecimento de remédios e os impactos que venham a registar-se dificilmente se transferem para o mercado no curto prazo. Se isto vai ter impacto nos clientes finais, ainda está longe de se saber. Vai depender dos remédios, se a OPA avançar”, disse ainda o mesmo analista.

Quanto à transferência de clientes entre empresas, esta fonte disse ainda que vai depender da “capacidade que haja no mercado liberalizado de conseguir encontrar margem comercial para conseguir fazer promoção de ofertas diferenciadoras”. “O preço no mercado regulado funciona com um teto baixo que condiciona e obriga as empresas a rastejar. Não há capacidade de ser inovador e haver diferenciação entre comercializadores. O mercado está um bocadinho duro, é preciso ganhar escala e dimensão. A captação de clientes custa mais do que só manter carteiras. O mercado não é fácil para quem não é incumbente”.

Questionada sobre se aproveitará o cenário de OPA para tentar captar mais clientes no mercado liberalizado e aumentar a quota de mercado em Portugal, fonte oficial da Iberdrola garantiu que “a OPA sobre a EDP, ou a sua ausência, não irá alterar as ambições em Portugal, que envolvem ter o maior número possível de clientes na nossa carteira usufruindo de energia verde a preços muito competitivos”, acrescentando ainda: “Não vemos porque a dinâmica do mercado mudaria. Não trabalhamos na hipótese de que a OPA altere o cenário competitivo em Portugal”. Contactadas pelo Dinheiro Vivo, nem a Endesa nem a Galp quiseram comentar o tema.

A mesma fonte oficial esclareceu ainda que “o mercado português é muito interessante para uma empresa como a Iberdrola”. “Apostar em Portugal e no mercado de clientes é um elemento essencial na estratégia da Iberdrola. É uma aposta pelo país, também reforçado com a enorme relevância do projeto do Tâmega”, que conta com um investimento de 32 mil milhões de euros nos próximos cinco anos.

Por seu lado, Nuno Moreira, presidente da Goldenergy, do grupo Dourogás, não acredita que a OPA à EDP seja “relevante para a mudança de quota de mercado das empresas” rivais. “Estas mensagens de mudança acionista não nos preocupam. O nosso foco está em transmitir aos clientes que temos uma proposta de valor acrescentado para as suas casas ou as suas empresas”, garante. Quanto a OPA, diz que é um sinal positivo, já que “esta proposta de investimento estrangeiro mostra que o setor da energia é próspero e importante para Portugal”. “É um sinal de vitalidade do país e do setor de energia, que gera riqueza como outro qualquer”, diz Nuno Moreira.

Na sua opinião, a EDP está neste momento a operar normalmente e “imune” à OPA em termos de perda de clientes. “Os seus colaboradores continuam a trabalhar, a sua proposta de valor continua a estar no mercado, não me parece que seja significativo”. Há dois anos, sublinha, a Goldenergy optou por uma abertura de capital ao grupo suíço Axpo, “que trouxe o acesso a novos mercados de energia por toda a Europa”.

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