Energia

Rubis compra negócio da Repsol na Madeira e Açores. Concorrência investiga

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Em Portugal existe uma situação de oligopólio, com quatro empresas a dominar mais de 90% da distribuição: Galp, Repsol, Rubis e OZ.

A Autoridade da Concorrência decidiu investigar a aquisição, por parte da Rubis, dos ativos do negócio de distribuição de gás à Repsol nos Açores e na Madeira, informou a AdC em comunicado. O negócio em causa diz respeito ao fornecimento de gás GPL canalizado, gás a granel e, sobretudo, gás em garrafa, na maior parte das ilhas das regiões autónomas.

“O fornecimento de gás GPL nas regiões autónomas, incluindo o gás em garrafa, é feito, atualmente, por três operadores – Galp, Repsol e Rubis –, reduzindo-se o número de alternativas disponíveis para apenas duas, no caso da aquisição do negócio da Repsol pela Rubis ser autorizada”, refere a Autoridade da Concorrência, que “decidiu iniciar uma investigação aprofundada ao negócio por considerar que, à luz dos elementos recolhidos até ao momento, existem indícios de que a aquisição pela Rubis do negócio de gás da Repsol, na Madeira e nos Açores, poderá resultar em entraves significativos à concorrência efetiva naqueles mercados”.

A AdC diz mesmo que “os impactos podem ser potencialmente negativos nas condições de fornecimento de gás GPL aos consumidores finais”.

Na sua investigação, a AdC avaliará as perspetivas de entrada nos mercados das regiões autónomas de outros fornecedores de gás GPL, que possam contestar a posição de mercado da Galp e da Rubis, podendo inclusivamente proibir o negócio em causa, se a operação de concentração tiver claros prejuízos para os consumidores finais de gás GPL, incluindo o gás em garrafa.

“Em Portugal existe uma situação de oligopólio, com quatro empresas a dominar mais de 90% da distribuição: Galp, Repsol, Rubis e OZ”, explica Pedro Silva, especialista em Energia da Deco, sublinhando que neste momento os preços médios do gás de botija rondam os 25 euros, uma subida de 50 cêntimos no terceiro trimestre de 2017. Uma botija de 13 kg, por exemplo, pode custar entre os 20 e os 30 euros. “O preço está a subir e estamos no inverno. Os preços continuam demasiado altos, sobretudo quando comparados com o gás natural: 2,6 milhões de lares têm botija e pagam mais 119 euros por ano. São 310 milhões de euros pagos em excesso”, diz.

 

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