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Ryanair admite despedir em ‘qualquer mercado’ e ameaça tripulantes portugueses

Michael O'Leary, CEO da Ryanair. (Fotografia: Will Oliver/ EPA)
Michael O'Leary, CEO da Ryanair. (Fotografia: Will Oliver/ EPA)

A companhia ameaça reduzir frotas e despedir trabalhadores. Pilotos com base na Suécia, Alemanha e Irlanda vão fazer novas greves.

Os tripulantes de cabine da Ryanair que aderiram à greve europeia que decorreu em Portugal, Itália, Espanha e Bélgica, foram informados, via email, pela transportadora, de que não iriam auferir dos bónus salariais e de que o salário será “devidamente ajustado”. Os trabalhadores portugueses também receberam esta terça-feira, 31 de julho, a comunicação, a que o Dinheiro Vivo teve acesso, e que adianta que o facto de terem feito greve “será tido em conta como fator relevante de desempenho quando houver oportunidades de promoção” na empresa.

A presidente do Sindicato Nacional Do Pessoal De Voo Da Aviação Civil (SNPVAC) , Luciana Passo, adiantou ao Dinheiro Vivo que já foi feita queixa ao Ministério do trabalho e à Autoridade para as Condições do Trabalho (ACT).”É lamentável e não é nada de que não estivéssemos todos à espera. Resta perceber o que vão fazer as autoridades portuguesas perante isto?”, questiona.

Email enviado aos tripulantes grevistas da Ryanair

 

A presidente admite que possam existir novas greves ainda este verão, conforme tinha já atestado ao Dinheiro Vivo o sindicalista Bruno Fialho. “Ainda vamos ter de falar entre todos, isto é uma decisão conjunta. Está-se a tornar um problema insustentável e transversal à Europa e vai ter algum desenvolvimento, porque será a única maneira de ouvirem os tripulantes da Ryanair”, adianta a presidente.

Face à última greve, nos dias 25 e 26 de julho, e aos constantes apelos da estrutura sindical, Luciana Passo diz que ainda não recebeu nenhuma resposta do Governo, mas mantém-se otimista. “Tenho a certeza de que as autoridades vão atuar e de que o Governo deverá ter uma posição sobre isto. Apesar de estarmos numa altura de férias, gostaria que a questão da Ryanair e da aviação em Portugal fosse olhada com olhos de ver. Que houvesse uma resposta breve”, apela a sindicalista.

Michael O’Leary está pronto para despedir “em qualquer mercado”

Os sindicatos querem que a Ryanair oiça as reivindicações, os trabalhadores agendam novas greves e Michael O’Leary responde com despedimentos. O CEO da transportadora low-cost ameaçou avançar com despedimentos e transferir trabalhadores para a Polónia caso as greves continuem e o negócio seja afetado.

O’Leary admitiu, esta terça-feira, 31, em conferência de imprensa em Viena, que estava preparado para cortar postos de trabalho em “qualquer mercado” caso necessário. Depois dos dois dias de greve conjunta dos tripulantes de cabine de Portugal, Espanha, Itália e Bélgica, é a vez de os pilotos com base na Irlanda avançarem para o segundo protesto, que acontece na próxima sexta, dia 3.

“É a Ryanair no seu melhor, é sempre com ameaças, com coações. Isto não é modo de trabalhar. Ninguém está a exigir este mundo e outro. Ninguém pediu nada irrealista. Apenas contratos de trabalho locais com lei local, o reconhecimento dos interlocutores sindicais como válidos e que todos os que trabalham na Ryanair tenham os mesmos direitos e garantias. Não me parece nada de extraordinário na Europa de século XXI”, reage Luciana Passo.

Leia também: Novas greves na Ryanair podem avançar ainda no verão

Também na Alemanha o cenário é idêntico. Esta semana, os pilotos com base no país informaram que vão avançar com greves, caso a companhia aérea não garanta aumentos salariais e melhores condições de trabalho.

A transportadora irlandesa tem até 6 de agosto para responder às reivindicações destes trabalhadores, prazo dado pelo sindicato alemão Vereinigung Cockpit (VC) que, após realização de um referendo, concluiu que 96% dos pilotos quer avançar com a paralisação.

A data do protesto dos pilotos alemães não está ainda definida mas será anunciada com 24 horas de antecedência.

Dia 10 de agosto é a vez dos pilotos a operar na companhia com base na Suécia fazerem greve, conforme anunciaram as estruturas sindicais esta quarta-feira.

Já no fim de julho a empresa informou que vai avançar com uma redução de 20% na frota da Irlanda em 30 a 24 aviões, já a partir de outubro. Esta redução poderá conduzir ao despedimento de 100 pilotos e 200 tripulantes de cabine.

“Se estas folgas desnecessárias continuarem a afetar a confiança dos clientes, dos preços e da rentabilidade em determinados mercados nacionais, teremos que rever o nosso programa de inverno, o que poderá levar a reduções de frota em algumas bases (…). Não podemos permitir que os voos dos nossos clientes sejam desnecessariamente interrompidos por uma pequena minoria”, lia-se no comunicado enviado à imprensa em julho no âmbito da divulgação dos resultados da transportadora.

Em Portugal, o sindicalista Bruno Fialho admitiu ao Dinheiro Vivo que já estão agendadas novas greves, embora ainda não possam ser revelados publicamente os dias das paralisações.

“Vamos avançar com mais greves se a Ryanair não mudar a sua atitude. Já estão definidas as datas de novas greves mas ainda não podemos divulgar. Vão realizar-se ainda no período de verão”, explicou Bruno Fialho da estrutura sindical portuguesa.

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