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Ryanair: Nova greve europeia agendada para final deste mês e afeta Portugal

Michael O'Leary, CEO da Ryanair. REUTERS/Yves Herman/File Photo
Michael O'Leary, CEO da Ryanair. REUTERS/Yves Herman/File Photo

A nova greve conjunta europeia no final de setembro vai reunir tripulantes, pilotos e pessoal de terra. Portugal será afetado

Esta deverá ser a maior greve na história da Ryanair. Na última semana de setembro, pilotos e tripulantes de cabina de vários países da Europa, vão avançar com uma paralisação conjunta contra a irlandesa low-cost. Também os trabalhadores de handling (pessoal de terra) estão em negociações para se juntarem ao protesto. Apesar de não haver ainda confirmação definitiva, Alemanha, Bélgica, Espanha, Holanda, Irlanda, Itália e Portugal são os países que vão avançar com a paralisação.

A decisão foi anunciada esta sexta-feira, 7, após uma reunião que juntou à mesma mesa, em Roma, Itália, as estruturas sindicais que representam os trabalhadores da Ryanair a operar nos vários países da Europa. Contudo, devido a questões legais nalguns países envolvidos, ainda não é possível aos sindicatos avançarem com os dias concretos da paralisação, apesar de estes já estarem definidos. “Haverá com toda a certeza uma greve na última semana de setembro, até dia 13 deste mês anunciamos a data”, garantiu Luciana Passo, presidente do SNPVAC (Sindicato Nacional Do Pessoal De Voo Da Aviação Civil) ao Dinheiro Vivo.

A aplicação da lei nacional, as condições salariais, o direito de usufruto de licenças de parentalidade, o fim dos processos disciplinares com base nas baixas médicas ou nos objetivos inerentes às vendas de bordo, são algumas das reivindicações que têm despoletado as várias greves destes trabalhadores desde o início do ano.

Leia também: Sindicato e partidos acusam Governo de não agir no caso Ryanair

A presidente da estrutura sindical portuguesa manifesta otimismo sobre os próximos acontecimentos. “Vai haver uma reunião com os acionistas e stakeholders da Ryanair e temos alguma confiança que daí vá sair alguma modificação na atuação da companhia. Iremos a Bruxelas também apresentar as razões do nosso protesto. A Ryanair tem de mudar”, avança.

Depois de um verão repleto de turbulência na transportadora irlandesa, marcado por cancelamentos e atrasos nos voos devido aos vários protestos de pilotos e tripulantes, avizinha-se um inverno igualmente difícil para Michael O’Leary, CEO da empresa. As estruturas sindicais já tinham alertado que não irão parar com as greves até que a Ryanair reveja as condições atuais dos seus trabalhadores.

Questionada pelo Dinheiro Vivo, a Ryanair recusa comentar o recente anúncio de greve. “De momento não estamos a comentar especificamente este tema”, refere fonte da transportadora.

Braço-de-ferro está para durar

Apesar das várias greves e perturbações provocadas em voos da companhia, que afetaram milhares de passageiros, a empresa continua a ignorar os protestos recusando-se a reunir com as estruturas sindicais, incluindo o SNPVAC que representa os tripulantes portugueses. Recentemente, a Ryanair celebrou um pré-acordo com os sindicatos dos pilotos irlandeses e italianos que tem merecido várias críticas.

A companhia tem sido acusada de de uma “campanha de marketing” pelas estruturas sindicais e alguns partidos políticos, uma vez que, o entendimento pré-estabelecido com ANPAC (Associação Italiana de Pilotos de Aviação) apenas abrange 10 pilotos, o número total de filiados nesta estrutura.

Relativamente ao pré-acordo com os pilotos irlandeses, o representante do SNPVAC, Bruno Fialho, referiu ao Dinheiro Vivo que este “é relativo a situações menores, porque a legislação irlandesa é cumprida pela Ryanair”. O sindicalista explica que estão em causa pontos diferentes e que este entendimento em nada tem a ver com as exigências dos restantes sindicatos europeus.” Não estamos a falar como nos outros países, em que o que está em causa é a constituição e o Código de Trabalho. São situações diferentes”, acrescentou.

Leia também: Ryanair recusa audição na AR. Nova greve em setembro afetará Portugal

De acordo com o SNPVAC, a Ryanair nunca se quis sentar com a estrutura portuguesa uma vez que esta não tem nenhum trabalhador da empresa irlandesa na sua direção.

Audições no Parlamento começaram esta semana

Esta semana tiveram início as audições na Comissão de Economia, Inovação e Obras Públicas (CEIOP), pedidas pelo Bloco de Esquerda, sobre a política laboral da transportadora low-cost. A falta de ação do Governo português relativamente à situação dos trabalhadores da Ryanair com base em Portugal foi severamente criticada pelo SNPVAC, pelo Bloco de Esquerda e pelo PCP.

Luciana Passo reitera a posição do SNPVAC. “Esperamos que haja uma ação do Governo. Ficamos à espera que todos atuem. A Comissão Europeia tem também uma palavra a dizer”, sublinhou esta sexta-feira ao Dinheiro Vivo.

A Ryanair recusou-se a estar presente e as audições vão continuar ao longo do mês de setembro à Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), à Autoridade para as Condições de Trabalho (ACT) e à ANA Aeroportos.

O deputado do BE Heitor de Sousa disse ao Dinheiro Vivo que o partido quer concluir todas as audições necessárias em setembro, para que o plenário da Assembleia da República “se possa manifestar rapidamente” sobre a situação.

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