Ryanair pede ao governo que rejeite ecotaxa sobre viagens aéreas

Companhia aérea irlandesa pede ao governo que rejeite a nova taxa de carbono aplicada sobre as viagens aéreas. Ryanair diz que rejeição da ecotaxa protege "regiões portuguesas que dependem fortemente do turismo e da conectividade aérea para a recuperação do emprego". easyJet também se manifestou contra.

Tal como a easyJet, a Ryanair não vê com bons olhos a proposta de uma nova taxa de carbono sobre viagens aéreas. A Ryanair, em comunicado, apela ao governo para que rejeite esta proposta "protegendo as regiões portuguesas que dependem fortemente do turismo e da conectividade aérea para a recuperação do emprego".

A companhia aérea low-cost defende que as taxas ambientais "não têm qualquer efeito na redução das emissões de CO2, são regressivas e prejudicam a concorrência". E por isso, sustenta que a "Ryanair opõe-se a qualquer taxa adicional, uma vez que paga anualmente centenas de milhões de euros (630 milhões de euros no ano fiscal 20) em impostos ambientais".

E vai mais longe, considerando que mais taxas sobre a aviação civil será "extremamente prejudicial para Portugal,", dado que a economia "depende fortemente" do turismo. Portugal é um país periférico que depende do transporte aéreo para fazer chegar ao território nacional turistas. Ainda em 2019, Portugal acolheu mais de 16 milhões de turistas estrangeiros, grande parte dos quais, entraram em Portugal através de avião.

"É absurdo que durante a pior crise que a indústria já enfrentou, o Governo português esteja a impor mais barreiras à sua recuperação, em vez de aplicar medidas para estimular o crescimento da capacidade e da procura", diz a Ryanair em comunicado.

E volta a criticar a Ajuda de Estado concedida à TAP. "Ao invés de desperdiçar 1,2 mil milhões de euros dos contribuintes portugueses na TAP, que inevitavelmente será uma transportadora muito mais pequena, o Governo deveria proteger o emprego e os interesses dos consumidores, trabalhando com as companhias aéreas que de facto fornecem baixas emissões, tarifas baixas e conectividade para apoiar o emprego no setor do turismo em Portugal", pode ler-se no comunicado.

A companhia garante que está empenhada nos objetivos ambientais de Portugal. "Graças ao seu projeto Renature Monchique, financiado através das doações de compensação das emissões de carbono, trabalha para a reflorestação de áreas destruídas pelos incêndios florestais de 2018 na região do Algarve".

easyJet: Ecotaxa agrava dificuldades da aviação

Esta quarta-feira, numa carta enviada ao governo e partidos, a easyJet manifesta os seus receios quanto à criação de uma taxa de carbono de dois euros, a ser cobrada aos passageiros de viagens aéreas, marítimas ou fluviais. Assinada por José Lopes, diretor da easyJet para Portugal, a missiva começa por assinalar que a transportadora aérea apoia "medidas para reduzir o impacto da aviação no meio ambiente".

Contudo, "acreditamos que uma ecotaxa como esta, proposta numa alteração ao Orçamento do Estado para 2021, não apenas expõe a indústria a mais dificuldades financeiras no meio da atual crise covid-19, mas também não dá a resposta necessária aos desafios ambientais. O setor da aviação é um ativo essencial para a economia local e para a conectividade, nomeadamente em Portugal, onde a economia é dependente do turismo. Não acreditamos que a imposição de um novo imposto sobre o setor reduza o impacto ambiental do mesmo, e simultaneamente prejudica a recuperação da economia nacional".

José Lopes defendia na carta de ontem que "um imposto na aviação sobre cada passageiro não é a abordagem certa, pois não oferece incentivos para as companhias aéreas ou passageiros melhorarem a eficiência do carbono nos seus voos". E cita um relatório da Eurocontrol, do mês passado, que indica que a aplicação de impostos sobre as emissões de carbono têm pouco impacto. Aliás, a empresa considera mesmo que um imposto terá apenas como resultado uma diminuição do capital disponível das companhias aéreas que poderia ser canalizado para investimentos em novas tecnologias.

"A medida proposta pelo PAN terá um custo elevado para a mobilidade, tributando aqueles com menos recursos na escala socioeconómica, que são também os que menos emitem, ao mesmo tempo que cria poucos benefícios tangíveis para o ambiente. Caso seja necessária uma taxa, esta deve estar diretamente ligada ao CO2 e cobrada por voo e não por passageiro, reconhecendo que voos mais cheios são realmente mais eficientes. A receita arrecadada também deve ser destinada a investimentos para descarbonizar a aviação", sustenta.

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