Ryanair: TAP deveria libertar cerca de 250 slots por semana

O CEO da Ryanair defendeu ainda que no próximo ano a low-cost deverá ultrapassar a TAP como a primeira companhia aérea em Portugal, devendo transportar 12,5 milhões de passageiros, enquanto a TAP deverá transportar 11,5 milhões de pessoas.

A Ryanair considera que a TAP deve libertar mais de duas centenas de slots - faixas horárias que permitem a descolagem e aterragem de aviões - no aeroporto de Lisboa, permitindo assim uma maior concorrência.

"Achamos que a TAP devia libertar no mínimo 250 slots por semana" no aeroporto de Lisboa, disse Michael O'Leary, CEO da Ryanair, em conferência de imprensa, em Lisboa. O responsável acusou a transportadora portuguesa de bloquear estas faixas horárias, procedendo apenas ao cancelamento dos voos com duas a três semanas de antecedência, impedindo outras companhias de as usarem. E deu alguns números.

De acordo com a apresentação de Michael O"Leary, entre 15 de novembro e 21 de novembro de 2019, a TAP realizou 1255 voos, sendo que no mesmo período deste ano a companhia portuguesa teve 1017 slots, tendo assim um corte de 31% dos slots. Olhando para o período de 22 de novembro e 28 de novembro, a TAP em 2019 realizou 1248 voos. No mesmo período deste ano, a TAP teve 1019 slots, o que representa um corte de 30%. "O Governo tem de forçar a TAP a libertar slots não utilizados em Lisboa", reiterou.

Durante a conferência de imprensa, o CEO da Ryanair defendeu ainda que no próximo ano a low-cost deverá ultrapassar a transportadora portuguesa, ocupando o lugar da primeira companhia aérea em Portugal. O líder da Ryanair estima que, em 2022, devendo transportar 12,5 milhões de passageiros, enquanto a TAP deverá transportar 11,5 milhões de pessoas.

Após a conferência de imprensa, questionado, o responsável da Ryanair disse ainda que um dos desafios da TAP é que antes da pandemia "a TAP era uma companhia que transportava 17 milhões de passageiros por ano". E com a pandemia é uma empresa que, num "País com 10 milhões de habitantes precisa de 3 mil milhões de euros do Ajuda de Estado", o que, na opinião de O'Leary é um consumo elevado de recursos financeiros para o que entrega. Até porque "vai ficar consideravelmente mais pequena porque a frota vai diminuir. O que a TAP faz bem é que tem boas ligações à América Latina, [em especial ao] Brasil. E isso é valioso. Mas as ligações de curta distância são más, são muito caras, os horários não são confiáveis, cancelam voos. Acho que não conseguem competir com a easyJet e Ryanair".

O responsável da companhia aérea de baixo custo sustentou ainda que: "o futuro da TAP passa por focar-se no longo curso para a América Latina e encontrar uma forma como a IAG (Ibéria e British Airways)" de agilizar essas rotas. "A Ibéria e a British têm muitas ligações às Caraíbas, América Latina. Isso para mim deveria ser o foco da TAP; ligar Brasil a Portugal e a América Latina a Madrid. Mas vão transportar 10 milhões de passageiros por ano. Não acho que uma economia como a portuguesa possa estar a dar Ajudas de Estado de milhões a quem apenas transporta 8 a 10 milhões de passageiros por ano".

Cinco bases em Portugal

O CEO da Ryanair defendeu esta tarde que nas cinco bases que detém em Portugal - Lisboa, Porto, Faro, Porta Delgada e agora no Funchal - representam um investimento de 2,8 mil milhões de dólares (2,4 mil milhões de euros no câmbio atual), e contemplam a existência de 28 aeronaves. Na base aérea na Madeira, anunciada nos últimos dias, a empresa vai alocar dois aviões e criar uma centena de empregos.

Por isso, e tecendo críticas à TAP, a Ryanair defende que cria emprego em Portugal, enquanto a transportadora portuguesa reduz. Diz também que lidera o turismo e a recuperação económica em Portugal e que cresce em solo nacional com zero ajuda do Estado enquanto a TAP "desperdiça" três mil milhões de euros. Prometeu ainda crescer mais assim que o Montijo esteja em operação.

Ómicron não cancela voos

Michael O"Leary questionado sobre a nova variante do coronavírus assumiu que não havia motivos para cancelar voos. E tendo em conta a proximidade da quadra natalícia assegurou que tem grande parte dos voos com boa ocupação.

Por outro lado, e questionado sobre a determinação do Governo português para que a partir de dia 1 de dezembro todos os passageiros entrem em Portugal com um teste negativo à covid-19 além do certificado digital, o responsável assegurou que a companhia vai seguir as indicações de Lisboa, tal como faz em todas as geografias onde está presente.

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