aviação

Sindicatos dizem que Ryanair ameaçou deixar Espanha. Empresa nega

A Ryanair terá dito que, se não pode desenvolver o seu modelo de negócio em Espanha com as condições laborais irlandesas, deixará o país

A poucos dias da greve convocada pela tripulação de cabine da Ryanair, a transportadora aérea irlandesa de baixo custo ameaça deixar Espanha, dizem sindicatos. A Ryanair esteve esta quarta-feira, 18 de julho, reunida com representantes sindicais, tendo estado em cima da mesa precisamente a greve agendada para 25 e 26 de julho. Durante o encontro – de acordo com o jornal Cinco Días que cita o responsável de voo do setor aéreo da USO e o porta-voz para as relações externas do sindicato dos tripulantes Sitcpla-, a empresa disse que, se não pode aplicar o seu modelo de negócio em Espanha, com as condições de trabalho irlandesas, abandonará o país.

Além disso, de acordo com as mesmas fontes, a transportadora aérea de baixo custo também poderá considerar abandonar as suas operações em outros três países – Bélgica, Itália e Portugal – onde os tripulantes de voo também vão estar em greve.

Contactada pelo Dinheiro Vivo, a Ryanair já negou que pretenda deixar quer as suas operações em Espanha, quer em Portugal. “Estas alegações por parte dos sindicatos são absolutamente infundadas e não têm qualquer tipo de valor”, diz Kenny Jacobs, responsável de marketing da companhia aérea low-cost.

Durante as negociações que decorreram esta quarta-feira, a transportadora aérea terá dito que quer que haja negociação por cada uma das empresas que pertencem os seus trabalhadores, indica ainda o jornal espanhol.

Ao Dinheiro Vivo, e relativamente a Portugal, a Ryanair disse recentemente que só vai negociar com os sindicatos que tiverem apenas os funcionários da empresa. Os tripulantes voltam a acusar a Ryanair de violar a lei do trabalho e já preparam a greve da próxima semana.

“Queremos reconhecer um sindicato em Portugal. Não há obstáculos em relação a isso. Mas não queremos estar com pessoas do sindicato que pertençam a outras companhias. Não fizemos isso noutros países. Só aceitamos dialogar com trabalhadores da Ryanair”, alega Kenny Jacobs, responsável de marketing da companhia aérea low-cost, em declarações ao Dinheiro Vivo. Até agora, só foram reconhecidos os representantes de Reino Unido e Itália.

O SNPVAC, sindicato que representa os tripulantes portugueses, atira-se ao Governo. “É vergonhoso que ainda não tenha sido tomada qualquer atitude contra esta empresa. Preocupam-se tanto com cidadãos estrangeiros que mal vivem em Portugal e depois não salvaguardam os diretos dos trabalhadores do seu próprio país”, lamenta Bruno Fialho, da direção deste sindicato.

Na próxima semana, a Ryanair vai cancelar até 50 voos por dia de e para Portugal por causa da greve de tripulantes de 48 horas, em conjunto com o pessoal de voo de Espanha e Bélgica – em Itália, a greve será só no dia 25.

Nos três países, serão afetados cerca de 100 mil clientes, por causa do cancelamento de 600 dos 4800 voos previstos para estes dias. Os passageiros já foram contactados e “podem remarcar ou solicitar voos alternativos num intervalo de 7 dias antes/após os dias 25 e 26”, segundo a companhia irlandesa.

(Notícia atualizada às 11:41 com a reação da Ryanair)

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