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Sabe o que acontece à roupa usada? Um negócio que ajuda pessoas e o ambiente

A H Sarah Trading tem o seu centro de triagem em Seia. Fotografia: Miguel Pereira da Silva/Global Imagens
A H Sarah Trading tem o seu centro de triagem em Seia. Fotografia: Miguel Pereira da Silva/Global Imagens

As peças têm uma segunda vida em países como Guiné-Bissau, Moçambique ou Camarões. Os desperdícios servem para enchimentos e isolamentos

Os portugueses desfazem-se anualmente de 195 mil toneladas de roupa usada. O volume é gigantesco e, com a velocidade atual do consumo e da voragem da moda, tudo aponta para que aumente. Está a tornar-se um problema para a sustentabilidade do planeta. E para onde vai toda essa roupa? Para vários países de África e da Ásia. A roupa usada tornou-se uma atividade económica, com uma cadeia que engloba vários agentes, mercados e canais de venda.

A Texamira está focada na compra e venda de roupa usada. Segundo Andreia Gonçalves, administradora da empresa de Seia, a maioria destes produtos são comprados ao peso em Portugal (o maior volume), Espanha e França. Têm fornecedores fidelizados pelo tempo, como empresas e associações, que lhes garantem o processamento diário de 40 toneladas. Num ano, a Texamira supervisiona mais de 13 mil toneladas. Mas nem todo este volume é passível de valorização, isto é, de voltar a entrar no mercado com valor económico. “É um negócio, mas estamos a valorizar um resíduo que de outra forma iria para aterro”, sublinha.

Potencial económico
Já a H Sarah Trading inicia o seu ciclo com a recolha. A empresa constituiu parcerias com autarquias e instituições de solidariedade social e criou uma rede de mais de três mil contentores de depósito espalhados pelo país, a que soma três filiais para agilizar a recolha. Em 2018, reuniram 863 toneladas por mês, ou mais de 10 mil toneladas no ano.

Daniela Pereira, gestora do projeto inVista nO Ambiente, da H Sarah Trading, explica que o processo tem três destinos: doação, valorização e reciclagem. A reentrada do produto no mercado é o caminho mais usado. “Queremos transformar o resíduo em matéria prima, é esse o objetivo”, frisa. Nas contas de 2017, a reutilização pesou 79,6% – aqui também entram as doações, mas são esporádicas e sujeitas a pedidos.

Como conta a responsável, “a valorização é a maior percentagem do negócio da empresa”, sendo “as peças ainda em bom estado exportadas para África e reintegradas em mercados locais”. Há uma parte (mais de 7%) que não oferece condições para uma segunda vida, que é sujeita a esfarrapamento, e é vendida para o fabrico de tapeçarias, isolamentos e enchimentos para a Índia e o Paquistão. Em ambos os canais de distribuição, o preço de venda é por quilo. A Texamira garante que tem mais de dez clientes nesses mercados asiáticos e há mais a procurar esses desperdícios têxteis.

Lojas de segunda mão
A Humana Portugal, organização presente em mais de 40 países, recolheu no ano passado 2875 toneladas nos mais de mil contentores que tem em Portugal. Nos últimos três anos, a associação juntou mais de 10 717 toneladas. Segundo Tânia Tristão, responsável da Humana, a triagem de artigos com capacidade para reutilização é feita em Espanha e o que não é passível de ser aproveitado é vendido em Portugal para ser reintroduzido noutros produtos.

Em Espanha, é feita uma triagem entre os artigos que podem integrar as lojas da Humana de roupa em segunda mão e os que vão para exportação, essencialmente para a Guiné Bissau e Moçambique onde a associação tem parcerias para a sua venda a preços reduzidos.

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