wine track 2018

Sabe se o vinho que comprou é autêntico?

As exportações de vinho aumentaram 4%

As novas tecnologias e soluções contra a fraude em debate no Wine Track 2018. A contrafação custa 6,3 mil milhões de euros ao ano na Europa

Cientistas, juristas, representantes de instituições europeias e empresas de tecnologia de ponta a nível mundial reúnem-se sexta-feira, dia 26 de outubro, no Porto para dar a conhecer novas tecnologias e soluções contra a fraude e a contrafação de vinhos e bebidas espirituosas, que custa, anualmente, perdas de 6,3 mil milhões de euros em vendas diretas e indiretas e 2,2 mil milhões em receitas fiscais. E que leva à perda de 41 mil postos de trabalho em toda a Europa, segundo os dados do Instituto da Propriedade Intelectual da União Europeia (EUIPO). Só em Portugal, o fenómeno custa mais de 14 mil empregos e leva à perda de 60 milhões de euros em vendas.

Permitir que o consumidor possa confiar nas condições de produção, certificação e distribuição do produto adquirido é uma das principais apostas do Wine Track 2018, o congresso internacional de enologia que este ano decorre no Porto, numa organização conjunta da Société des Experts Chimistes de France (SECF), da Associação dos Laboratórios de Enologia (ALABE) e da Organização Mundial da Vinha e do Vinho (OIV). “A rastreabilidade dos vinhos é fundamental para a gestão diária nas empresas, porque só por essa via se podem conseguir melhorar processos e garantir credibilidade junto do consumidor final”, destaca a organização em comunicado. Recorde-se que o Wine Track foi criado, em 2011, pela SECF precisamente com o objetivo de “fomentar a inovação e o desenvolvimento da rastreabilidade dos vinhos e das bebidas espirituosas, ou seja, a capacidade de traçar o seu percurso desde a uva até ao copo, garantindo a sua autenticidade”.

A OIV lembra que 43% do vinho consumido no mundo “atravessa pelo menos uma fronteira”, com as exportações mundiais a representarem, anualmente, mais 30 mil milhões de euros. O consumidor, diz a presidente da OIV, é “cada vez mais exigente e esclarecido” e, no momento da escolha, vale-se “do reconhecimento da marca, da exigência de qualidade, da idoneidade e do prestígio de determinado produtor” ou, se não os conhece, “baseia-se na reputação das entidades que garantem a certificação da Denominação de Origem, por exemplo”. Para Regina Vanderlinde, “o consumidor é cada vez mais orientado a considerar os chamados ‘atributos de credibilidade’ ao invés do preço”, e, por isso, “exigem informações detalhadas sobre o processo global da uva para a garrafa”.

Esta responsável garante, ainda, que “todas as entidades de controlo têm à sua disposição um vasto conjunto de instrumentos disponibilizados pela OIV que permitem que a deteção precoce e inequívoca de fraudes esteja cada vez mais ao seu alcance”. A globalização veio facilitar este fenómeno, questionamos? Regina Vanderlinde é perentória: “Hoje com a divulgação rápida dos meios de comunicação, as fraudes são facilmente divulgadas. Creio que isso ajuda a combater as fraudes pois as empresas ficam mais temerosas em ter o seu nome e prestígio envolvidos em escândalos que poderiam denegrir o seu nome e acabar com a confiança do consumidor nos seus produtos”.

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