Sakthi: Manifesto de paixão para dar a volta à crise

O método Kaizen permitiu à Sakthi Portugal vencer a guerra pela sobrevivência. Hoje, o método tornou-se o seu modo de vida.

A história da Sakthi Portugal tem um final feliz, mas o percurso foi acidentado. Com a ajuda do método Kaizen, conseguiu dar a volta à crise e hoje cresce a dois dígitos. O exemplo de resiliência valeu o relato em livro. Kaizen: Uma estratégia de melhoria, crescimento e rentabilidade, de Euclides Coimbra, é, segundo o autor, o “testemunho da história de uma empresa que levou o Kaizen muito a sério”.

Quando a crise económica se instalou, em 2008, a Sakthi viu, como outras empresas por todo o mundo, a sua atividade cair a pique: em termos concretos, caiu 80%. Os funcionários decidiram, por unanimidade, baixar os vencimentos em 20%. Reuniram-se fornecedores e a empresa ficou em standby até que ‘o dia de amanhã’ fosse menos incerto.

“A empresa salva-se. Não foi milagre, foi manifesto de paixão, de resiliência”, contou Jorge Fesch, desde 1998 CEO da empresa que desenvolve, projeta e produz componentes de segurança crítica para o fabrico automóvel. O primeiro obstáculo tinha sido superado. A quebra da atividade foi de 40% em 2009, mais reduzida, “mas mesmo assim muito significativa”.

Em 2010, porém, voltaram as dificuldades: a Sakthi estava “completamente bloqueada” e debatia-se com um problema de falta de qualidade. O CEO colocou o lugar à disposição, mas a confiança ditou a permanência. Jorge Fesch partiu então “em serviço militar”. E esta não é, aliás, a única referência militar. Durante todo o procedimento, chamou às salas de controlo war rooms. Para Euclides Coimbra, justificam-se as metáforas: “A empresa realmente estava numa guerra pela sobrevivência.”

“Fiquei na empresa oito meses, sete dias por semana e quinze horas por dia. Sozinho”, explicou Jorge Fesch. Sozinho na procura dos problemas e no apuramento das necessidades, mas “ouvindo toda a gente”. As decisões, Jorge Fesch foi tomando “permanentemente, também sozinho”.

Em 2011, o Kaizen Institute foi chamado a intervir, quase para dar seguimento ao trabalho que o CEO tinha iniciado. Foi, aliás, quando ouviu falar do empenho do CEO que Euclides Coimbra (além de autor do livro, é senior partner do Kaizen Institute) ficou interessado.

Agora, a “melhoria contínua” que o método Kaizen implementa é o modo de vida da Sakthi. “Quando interiorizamos que de facto é possível melhorar continuadamente, mudamos de planeta. Já não temos nenhum problema sério de ontem para resolver. E a energia das organizações é gasta na melhoria e na inovação”, explica Jorge Fesch, que destaca, sobretudo, as vantagens da gestão visual. Porque quando se “tem tudo à frente, área a área”, não há vontade de voltar atrás e de “ter de perguntar a 20 pessoas” para saber o que se passa na empresa. “Se todos formos capazes de atualizar a informação todos os dias, vamos vendo como evolui e também nos vamos alimentando das pequenas conquistas”. Admite que gasta “uns milhões de euros em consultoria por ano”, mas não é custo, é investimento. É “trazer o conhecimento para dentro de casa”, diz Jorge Fesch.

Este ano, a Sakthi abriu uma nova fábrica em Águeda, resultado de um investimento de 36 milhões de euros. Em 2016, a faturação da unidade da Maia foi de 100 milhões de euros. A de Águeda “vai trabalhar para 50 milhões”, diz o CEO. Os resultados têm crescido “dois dígitos ao ano”. O final da história é feliz: “Os casos de sucesso quase sempre têm por detrás uma situação muito difícil.”

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