Tecnologia

SAP, Altice e Accenture vão ter programa de transformação digital para empresas

Luís Carrasqueira apresentou as novidades no evento SAP Now. Foto: SAP

Baixa produtividade e população envelhecida são dois problemas que as novas tecnologias podem ajudar a superar em Portugal.

É a principal novidade a reter do grande evento anual da tecnológica SAP em Portugal: a empresa juntou-se à Altice e à Accenture para criar um programa que tem como objetivo ajudar a aceleração da transformação digital nas empresas portuguesas.

Como parte deste acordo, o centro de dados da Altice na Covilhã passa a ser o primeiro em Portugal a estar certificado segundo as regras da SAP, o que permitirá aos clientes da tecnológica alemã alojar os seus dados naquele data center. Já a Accenture vai desenvolver uma oferta para que os clientes possam tirar partido deste modelo de ‘cloud privada’.

“A economia está a crescer, Portugal está melhor. Há uma apetência grande para a inovação. Todos estamos ligados entre pessoas, entre organizações, entre meios físicos”, disse o diretor-geral da SAP Portugal, Luís Carrasqueira, durante a apresentação de abertura do evento. Segundo o executivo, “esta é uma nova oportunidade para as empresas”.

“Percebemos que não podíamos ser só um operador de telecomunicações. O mundo está a mudar e queríamos ser um motor dessa transformação digital”, referiu por seu lado diretor de vendas da Altice, João Sousa, a propósito desta nova parceria.

Já o diretor da Accenture Portugal, José Gonçalves, considera que “a transformação digital é quase imperativa para as empresas. Isto está a colocar as oportunidades de crescimento num patamar que não era visível”.

Os dados são os novos ‘patrões’
Três empresas com perfis muito diferentes participaram num debate a propósito da influência da tecnologia nas suas atividades: a Logoplaste, que fabrica embalagens de plástico; a Science4You, uma empresa que produz brinquedos; e a Trivalor, uma empresa que agrega serviços na área da saúde, segurança e restauração.

“Estamos a recolher informação em tempo real. Recebemos em tempo real as necessidades do cliente, da produção das máquinas, podemos prestar um serviço diferente ao cliente, temos mais informação, conhecemos melhor o padrão de comportamento e no futuro com a inteligência artificial podemos ir mais longe”, começou por dizer a diretora de produto da Logoplaste, Conceição Calheiro.

Além de processos de fabrico mais eficientes, a responsável diz que esta maior vertente tecnológica também tem um efeito positivo nos trabalhadores. “No final do dia ele próprio [funcionário] diz que pode fazer outras tarefas que são muito mais interessantes, dedicadas a produzir um produto de qualidade. Nem nós próprios estávamos à espera disto”, confessou.

Já o fundador da Science4You, Miguel Pinta Martins, considera que “ser eficiente na indústria dos brinquedos torna-se fundamental”. Porquê? Porque a cada três meses há uma nova tendência na área dos brinquedos.

A tecnologia, sobretudo a capacidade de dar sentido a todos os dados que são produzidos, tanto no fabrico dos brinquedos, como no momento da venda, tem um papel fulcral. “O mundo necessita de mais rapidez, foi isso que nos levou a fazer a fábrica em Portugal e a ter software que nos obriga a ser mais rápidos”, explicou.

Além disso, Miguel Pina Martins confirmou que a aposta numa nova plataforma de gestão integrada vai permitir poupar perto de 500 mil euros nos próximos três a quatro anos de atividade.

Já o diretor-executivo da Trivalor, Joaquim Cabaço, revelou que a empresa está a usar uma solução de realidade aumentada em armazéns para garantir que os clientes recebem “o produto certo na quantidade certa”. “Queremos monitorizar toda a cadeia desde a origem da matéria-prima até ao que está no prato e há muito desperdício”, referindo-se àquele que é um dos principais desafios da empresa.

Mas num mundo que é cada vez mais regido por tecnologia, a componente humana vai acabar por ganhar mais destaque. Quem o defende é o professor Jorge Carrola, da Universidade Nova de Lisboa, que também participou no debate. “A componente humana vai fazer a diferença. Há factores que a máquina não vai substituir ou dificilmente substituirá – como a criatividade e a componente emocional. (…) Os dados permitem tomar decisões, mas temos de ser sempre nós a tomar as decisões”, concluiu.

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