Sapatos: Ecco regressa e contrata “em grande escala”

Ecco volta a reforçar em Portugal
Ecco volta a reforçar em Portugal

A Ecco, a multinacional dinamarquesa que chegou a ser a maior produtora de calçado em Portugal, está de volta e a contratar trabalhadores “em grande escala”.

A empresa, que deslocalizou a sua produção para a Ásia em 2009 e deixou aqui apenas o centro de investigação e desenvolvimento, está novamente a produzir calçado na fábrica de Santa Maria da Feira. O objectivo é chegar, rapidamente, aos 450 funcionários.

Segundo o JN/Dinheiro Vivo apurou, só na última semana terão sido admitidos cerca de 150 trabalhadores e outros tantos estarão para ser contratados. A fábrica estará já com 300 funcionários, número que não conseguimos confirmar com exatidão, já que a Ecco não se mostrou disponível para comentar o reforço de posição em Portugal, e o sindicato desconhece o número atual. Mas sabe que “todas as semanas entra pessoal”, como confirmou a líder do Sindicato dos Operários da Indústria do Calçado. Fernanda Moreira afirma que é com “grande
satisfação” que vê, na actual conjuntura de aumento generalizado do desemprego, uma empresa a “recrutar em grande escala”. “O que mais esperamos é que a decisão seja a de manter aqui a
produção”, sublinha.

Já o delegado sindical da empresa, Fernando Linhas, explica que este reforço – em 2009, para o desenvolvimento das amostras ficaram, apenas, 120 trabalhadores – visa colmatar a falta da fábrica na Tailândia, “completamente destruída” nas graves inundações que devastaram o país por mais de três meses e provocaram largas centenas de mortos.

“Estão a ser feitos contratos de ano e meio e quase todos dizem que é para fazer face ao problema da Tailândia. A empresa tem o cuidado de dizer que é uma situação temporária. Pessoalmente, não acredito que consigam reagir a esta perda tão rapidamente e acho que vão ficar mais tempo”, frisa.

Fernando Linhas lembra, por outro lado, que há um ano, ainda antes da tragédia tailandesa e da destruição da fábrica, a casa-mãe anunciara já a necessidade de reforçar a sua capacidade de produção a nível mundial porque “não tivera capacidade para entregar oito milhões de pares de sapatos que tinha vendidos”.

Razão porque foram adquiridas e integradas no grupo – que conta com fábricas na Indonésia, Eslováquia e China, além da tailandesa – sete máquinas de injeção. “Acredito que a transferência de produção para Portugal por causa da Tailândia a par da mudança da política laboral no país, que lhes traz vantagens, possa tornar esta situação mais duradora”, diz Fernando Linhas. No imediato, o delegado sindical congratula-se por, nas contratações, “estar a ser dada preferência, maioritariamente, aos ex-trabalhadores” da Ecco. “Tinha-nos sido prometido que, em caso de novas admissões, seria dada preferência aos que foram despedidos e isso está a ser cumprido”, frisa.

A Ecco instalou-se em Portugal em 1984 e, na fase incial, teve 1700 trabalhadores. Fernando Linhas diz que a empresa “tem condições para albergar três mil pessoas” como chegou a ter “há muito tempo”.

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