Energia

Schneider Electric quer continuar a crescer à boleia da transição energética

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O CEO da gigante tecnológica diz que 60% da gestão de energia está errada e que a eficiência energética é, afinal, o “segredo” para travar emissões.

Para Jean-Pascal Tricoire, presidente executivo da Schneider Electric, a eficiência energética é como deixar de fumar. E explica porquê: “Não só nos sentimos melhor a nível físico como poupamos muito dinheiro porque deixamos de comprar cigarros. A eficiência energética é igual: gastamos e poluímos menos. É só mudar a forma como consumimos e gerimos a energia que temos disponível, em vez de estarmos focados em torná-la verde”, defendeu numa entrevista exclusiva ao Dinheiro Vivo no Innovation Summit 2019, em Barcelona.

Tricoire sublinha os números da Agência Internacional para a Energia: 80% dos edifícios são ineficientes e 60% da indústria também. “Estamos a falhar juntos. Debatemos combustíveis fósseis versus energias renováveis, mas devíamos estar focados na ineficiência. Se a corrigirmos é muito mais rápido e barato. E não serão necessárias tantas centrais para produzir energia renovável”, defende o CEO, garantindo que “as poupanças geradas cobrem o investimento das empresas em eficiência energética no espaço de três anos”.

Aos clientes, dá o exemplo da empresa que gere e que, no final do primeiro semestre de 2019, estava a crescer a um ritmo de 5,4%. Na fatura energética, a Schneider Electric tem conseguido uma redução de 10% a cada ano e anunciou agora a meta de ser neutra em carbono até 2025.

“Tornou-nos mais competitivos. Em 2003 éramos uma empresa de oito mil milhões de euros e hoje valemos 26 mil milhões. Foi a aposta certa. A eficiência energética não é um nicho de mercado, é uma grande oportunidade de negócio”, diz Tricoire.

E se a área de IoT (Internet of Things) é responsável por 45% das receitas da Schneider Electric, a energia é a que regista um maior crescimento. “A cada ano duplicamos os lucros. Temos muita procura. Sobretudo nos Estados Unidos, onde a rede é muito má. Na Europa as redes energéticas já são mais avançadas, por comparação com o resto do mundo”, diz o CEO.

Em Portugal, a Schneider Electric está presente há mais de 50 anos e tem como clientes grandes empresas como a EDP, Galp, Navigator Company, entre outras, para as quais fornece equipamentos de baixa tensão para edifícios e indústria. Tricoire conhece o mercado e garante que o investimento em renováveis “vai continuar, passo a passo, sem subsídios”.

Isto porque, além de corrigir a ineficiência energética “temos de apostar nas renováveis ao mesmo tempo: duplicar o nível de eletrificação da economia de 20% para 40% e descarbonizar através das renováveis (eólica e solar), que vão dar um salto de gigante de seis para 40%”.

Para Tricoire, aqui entram as empresas, que são “responsáveis pela inovação”, os governos, “que não podem bloquear o caminho por razões puramente políticas”, e as cidades que, “com 80% das emissões, têm de ser mais sustentáveis para atrair o turismo.

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