Secretária de Estado: Turismo pode perder 60 mil empregos

Rita Marques, em entrevista à Reuters, admite que o setor do turismo pode perder até 60 mil empregos este ano devido à pandemia de covid-19. Quanto à recuperação para o setor, a governante admite que está longe.

O turismo é um dos setores que está a sofrer uma das faturas mais pesadas da crise económica gerada pela pandemia de covid-19. A secretária de Estado do Turismo, Rita Marques, admitiu em entrevista à agência Reuters, que o setor deverá perder 60 mil empregos neste ano. A governante assumiu que a recuperação do setor está longe.

Além disso, Rita Marques sublinhou que algumas das regiões têm de diversificar a sua economia, muito assente no turismo, após a pandemia. O Algarve é uma das regiões que terá de diversificar a sua economia. "Temos de diversificar... mas vamos continuar a trabalhar para garantir que o Algarve continua a receber bem os britânicos - independente do que acontecer com o Brexit", disse.

As expectativas são que a recuperação do mercado internacional aconteça no terceiro trimestre de 2021, algo, contudo, que está dependente do sucesso de uma vacina.

"Sabemos que vai ser difícil, que vai demorar algum tempo", disse Rita Marques á Reuters, acrescentando que Portugal deverá estar entre os primeiros destinos a beneficiar quando as pessoas voltarem a viajar.

Pandemia tirou 980 milhões ao alojamento turístico no verão

Os meses de julho, agosto e setembro são tipicamente os melhores para o setor do turismo em Portugal. Mas a pandemia de covid-19 tornou 2020 diferente dos últimos anos. Olhando para o trimestre de verão é possível perceber que o número de hóspedes caiu cerca 53%, passando de pouco mais de nove milhões de hóspedes para quatro milhões neste ano. As dormidas também caíram significativamente: foram pouco mais de 11 milhões de dormidas no trimestre estival, o que contrasta com as mais de 25 milhões no mesmo período do ano passado, de acordo com dados do Instituto Nacional de Estatística.

Menos hóspedes e dormidas traduz-se numa quebra dos proveitos totais e de aposento nas unidades de alojamento turístico. No terceiro trimestre, os proveitos totais (que incluem as receitas de aposento, da restauração e de outras atividades, como o aluguer de salas) recuaram quase 59% face ao ano passado para pouco mais de 693 milhões de euros. Nos três meses de verão de 2019 tinham ascendido a mais de 1,6 mil milhões de euros, o que significa que a diferença é de cerca de mais de 981 milhões de euros.

Todas as regiões registam uma quebra face ao mesmo período de 2019. Para se ter uma ideia, os proveitos totais na área metropolitana de Lisboa nos três meses de verão do ano passado ascenderam a quase 420 milhões de euros. Já nos meses de julho, agosto e setembro deste ano, ficaram pouco acima dos 86 milhões de euros, um reflexo da falta de procura pelo turismo de cidade e pela quebra do turismo de negócios e eventos.

Os serviços além do aluguer de quartos contam cada vez mais para as receitas das unidades de alojamento turístico. Mas com menos eventos, casamentos e outro tipo de festas, essa componente não deu um grande contributo para as receitas. Por isso, os proveitos de aposento representaram a fatia de leão dos proveitos totais: ascenderam a quase 541 milhões de euros o que, ainda assim, representa uma queda de quase 59% face ao período homólogo.

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