Construção

Sem obras públicas, aeroporto e hotéis animam Gabriel Couto

As obras no aeroporto do Porto vão permitir aumentar a capacidade de 20 para 32 movimentos por hora. Fotografia: Artur Machado/Global Imagens
As obras no aeroporto do Porto vão permitir aumentar a capacidade de 20 para 32 movimentos por hora. Fotografia: Artur Machado/Global Imagens

A empresa de Famalicão encontrou nova receita para crescer ao mudar o foco para projetos de turismo e imobiliário residencial

Desde os tempos da crise que os negócios nas obras públicas estão em queda. Só no ano passado, foram menos 11% do que no anterior, num volume de 2,6 mil milhões de euros – segundo a associação do setor, a AICCOPN, abaixo dos valores de 2011. E nesse período muitas empresas tiveram de se adaptar para sobreviver – acabando por encontrar novas receitas para crescer. Foi o caso da Gabriel Couto, construtora portuguesa de origem familiar, que apanhou boleia do boom turístico do país, alavancando a atividade com obras para transportes e hotelaria.

Gerida por Carlos Couto, a empresa tem em mãos uma empreitada no aeroporto do Porto que vai permitir que a infraestrutura aumente a capacidade de 20 para 32 movimentos por hora. A ANA – Aeroportos de Portugal está a investir 15 milhões e deu à Gabriel Couto um prazo de 547 dias para concluir o projeto, ou seja, até abril de 2020. A construtora de Famalicão é também responsável pela requalificação do complexo turístico Pine Village Resort, em Albufeira, empreendimento erguido há mais de 20 anos e que vai conhecer um novo futuro. Está ainda a construir o novo hotel do grupo têxtil Endutex, Moov Oeiras, que representa um investimento de seis milhões.

“A atividade da construção em Portugal está hoje muito focada no setor privado”, diz Carlos Couto, que recorda que as obras públicas “que têm saído apresentam preços base muito baixos”, o que leva a que muitos concursos fiquem desertos. O responsável admite que “as empresas que conseguiram sobreviver à troika precisavam de se capitalizar e isso impediu-as de se apresentarem a esses concursos”.

Neste contexto, a Gabriel Couto centrou-se na hotelaria, no imobiliário residencial e industrial, embora também tenha em carteira obras públicas. “Estamos responsáveis pela maior residência de estudantes do Porto”, um projeto de 456 quartos na zona da Asprela, num investimento da Uhub Investments que tem Jaime Antunes, Hugo Gonçalves Pereira e a gestora de ativos Atrium como acionistas. Na carteira, estão ainda dois projetos residenciais de luxo em Lisboa, para investidores franceses e chineses.

Indústria abranda
Carlos Couto admite que hoje se observa “algum abrandamento no investimento industrial”, mas ainda assim tem em plena atividade a edificação da nova fábrica da Porminho. A empresa agroindustrial está a construir uma segunda nave industrial e um novo edifício administrativo, um projeto de 18 milhões que deve estar feito em 2020.

A carteira de encomendas para este ano ascende a 180 milhões, com a maior fatia (40%) a vir do segmento residencial e turístico. Infraestruturas e indústria repartem os restantes 60%. Carlos prevê fechar o exercício com um volume de faturação na ordem dos 120 milhões, com um contributo do exterior. A construtora tem em curso uma obra de redes de abastecimento de água avaliada em cinco milhões na Nicarágua e quer reforçar na América Central. “Apresentámo-nos a dois concursos em El Salvador – construção de uma estrada e remodelação dum posto fronteiriço – e aguardamos decisão.”

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