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Sensores para controlar vinho

Rogério Nogueira CEO e Lucia Bilro CETO da empresa Watgrid no Creative Science Park em Aveiro.
(Pedro Correia/Global Imagens)
Rogério Nogueira CEO e Lucia Bilro CETO da empresa Watgrid no Creative Science Park em Aveiro. (Pedro Correia/Global Imagens)

Winegrid rastreia produção de vinho desde a prensa até ao engarrafamento.

A próxima vez que degustar um bom copo de vinho, saiba que por detrás pode estar a tecnologia WineGrid, desenvolvida pela Watgrid a partir das suas instalações no Parque de Ciência e Inovação, em Ílhavo.
A empresa foi criada em 2014, no seguimento de trabalhos iniciados em meio académico por Rogério Nogueira, professor na Universidade de Aveiro, e Lúcia Bilro, aluna de doutoramento. Desenvolviam tecnologia para monitorizar líquidos e, inicialmente, estudaram a viabilidade do produto para aplicação em água. Mas à medida que o projeto evoluía, perceberam que tinha características interessante que poderiam ser aplicadas no mercado do vinho.

O que é o Winegrid?
Acontece que, desde a prensa à fermentação e à fase de estágio, o vinho passa por várias fases. Em cada uma delas, há diferentes parâmetros que é importante controlar para se ter um produto de qualidade. “Nós desenvolvemos sensores de cinco parâmetros que são críticos em várias fases de produção de vinho: a temperatura, o nível, a densidade, a cor e a turvação”, explica a investigadora Lúcia Bilro.
Na fase da prensa, por exemplo, é preciso controlar a cor e a turvação. Na fermentação é a densidade e a temperatura (a densidade é o parâmetro que permite perceber a degradação de açúcar e produção de álcool). Na fase de estágio, um dos parâmetros mais importantes é a redução de nível dentro da barrica, que decorre devido a trocas gasosas ou fenómenos relacionados com a madeira.

“Com este produto, é possível digitalizar os diferentes processos, permitindo a rastreabilidade desde que a uva chega à adega até que o vinho está pronto para ser engarrafado, em tempo real”, acrescenta Lúcia Bilro. É assim possível acompanhar as diferentes necessidades em cada fase da produção e retirar trabalho aos enólogos e técnicos, que têm de fazer trabalhos rotineiros de testes e provas e deslocações propositadas para controlar as etapas de produção.

“Com a monitorização digital”, reforça Rogério Nogueira, “poupa-se tempo, evitam-se erros e consegue-se um controlo transversal e integrado mais apurado”. “Trouxemos um conjunto de sensores inovadores que permitem, pela primeira vez, digitalizar e monitorizar o que está a acontecer na cuba de fermentação. Isto tira ao enólogo a necessidade de retirar amostras para ver o estado atual do açúcar e do álcool. E é um processo remoto, retira a carga do enólogo ter de se deslocar à adega para estar a controlar ou operacionalizar”, sublinha Rogério Nogueira.

Mediante estas informações, o enólogo consegue, à distância, saber o que está a acontecer na cuba e manter ou alterar o plano de produção, garantindo a qualidade do vinho.

Os sensores são um hardware único, com grande robustez mecânica e materiais que não estragam o perfil aromático do vinho, garantem os investigadores, que lideram uma equipa de 14 pessoas.

O Winegrid chegou ao mercado no ano passado, ainda em pequena escala. Este ano está a ser lançado numa escala maior, e já tem clientes de renome em Portugal e em França, e está a ser testado em Itália.
A Watgrid está a negociar acordos de distribuição com grandes players mundiais na área, e também a desenvolver novos produtos para a gama do vinho e para outras áreas, como águas residuais, aquacultura e líquidos industriais.

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