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Serviço postal universal. “Não temos intenção de concorrer ao concurso”

Olivier Establet, CEO da DPD
Olivier Establet, CEO da DPD

Fusão entre Chronopost e SEUR em Portugal cria grupo DPD. Olivier Establet fala dos projetos do grupo e nega potencial interesse no serviço postal

A fusão entre a Chronopost e a SEUR vai criar um grupo de entregas de encomendas que vai entregar mais de 22 milhões de encomendas este ano, colocando o novo DPD na liderança em Portugal, garante Olivier Establet. O antigo CEO da Chronopost e agora à frente do novo DPD conta fechar o ano com receitas de 77 milhões de euros, uma subida face aos 71 milhões que fecharam as duas empresas o ano passado.

A fusão vai permitir ainda ao grupo realizar investimento com maior dimensão. Para a região de Lisboa está prevista um investimento de 25 milhões de euros, mas que poderá vir a aumentar. Aproveitar o crescimento do ecommerce está na base desta fusão que Establet diz não ter sido acelerada pela entrada de novos concorrentes como a espanhola Correos. No próximo ano, a DPD vai ter um piloto a decorrer em Lisboa com um serviço semelhante ao da empresa do grupo Stuart.

O foco é crescer organicamente no negócio das encomendas. O negócio dos correios, cuja concessão do serviço postal dos CTT termina em 2020, não suscita interesse ao grupo detida pela La Poste, segundo maior operador postal na Europa e o terceiro a nível mundial.

A fusão entre a Chronopost e SEUR era há muito esperada. Tendo em conta que o mercado espanhol foi uma das razões apontadas para esta operação, a entrada da espanhola Correos acelerou esta operação?

Não tem nenhuma relação. O calendário tinha a sua própria agenda, comprámos a duas franchisadas SEUR há cinco e três anos em Portugal, a partir desse momento, colocou-se a possibilidade de uma fusão. Começámos por fundir no primeiro ano todas as atividades da SEUR que estavam separadas a norte e a sul, o que nos ocupou cerca de 1,5 anos e, mais recentemente, trabalhamos no projeto de fundir a Chronopost com a SEUR. Não tínhamos pressa, não havia motivo para isso, queríamos fazer as coisas de modo a que os clientes não sintam qualquer perturbação na prestação de serviço, que haja uma total continuidade, para que possamos aproveitar a oportunidade para fazer as coisas ainda melhor do que qualquer uma das duas empresas fazia sozinha. O timing é o nosso e não condicionado a coisas que se podiam passar lá fora.

O crescimento do ecommerce em Portugal foi uma das razões apontadas para a entrada da Correos através da compra da Rangel Expressos. O ecommerce nacional é assim tão apetecível, 4% justifica tanta movimentação de empresas?

Sem dúvida, 4% do comércio ser digital significa também que um terço das encomendas que as empresas de correio expresso entregam hoje resultam do ecommerce. Com 6,7 ou 8% do comércio a ser eletrónico irá ultrapassar esse valor, haverá mais de uma ou duas entregas que resultam do ecommerce.

O B2B, uma das entregas mais tradicionais que as empresas de correio expresso toda a vida tiveram, como está muito indexado ao consumo privado são hoje um crescimento muito modesto, não só em Portugal como em qualquer país da Europa, já o ecommerce permite crescimento de 20 a 30% ao ano e a nosso crescimento tem sido muito sustentado com base no ecommerce. Daí que a estratégia do DPD é de continuar a oferecer novos serviços, ser os primeiros a lançar inovação em Portugal, para continuar a ser visto como o operador de referência no B2C.

Há várias empresas a anunciar investimentos, a Correos, DHL no aeroporto de Lisboa, os próprios CTT. Tem havido muita agitação em torno deste sector.

É um fenómeno novo que tem vindo a ganhar muita força, nem todas as empresas que referiu se viraram para o ecommerce quando deu os primeiros sinais, aqui o mérito tem de ser dado ao DPD Group que mexeu com o mercado pela primeira vez quando lançou a rede Pick Up em Portugal há sete anos e quando lançou há quatro anos o serviço Predick, que permite que uma pessoa que queira receber encomenda em casa possa saber, com uma margem de 30 minutos, contar com uma hora de entrega.

O DPD Group foi dos primeiros a trazer inovação para este mercado, é um mercado que, naturalmente, ninguém pode ficar indiferente. Aceitamos a concorrência que existe entre as empresas, temos a sorte e oportunidade de ter muitas filiais em mercados mais maduros que nos podem apontar para as futuras necessidades e as soluções. É um misto de tirar partido do melhor que há lá fora e a adaptar o melhor possível a uma realidade que conhecemos muito bem por estarmos há mais 30 anos no mercado local.

Mas vê mais movimentações como a vossa, novas compras? O mercado português está a revelar alguma atratividade especial para investimento estrangeiro?

O grupo DPD em 2001 adquiriu uma filial da Prosegur em Portugal, portanto, participamos desde o início desse processo de concentração, depois em 2004 também uma operação de um operador alemão e nos últimos cinco anos as operações da SEUR. Tem contribuído ativamente para esse fenómeno de concentração e quando há uma razão de negócio para isso faz sentido que exista. Neste momento estamos concentrados na nossa atividade, no facto de termos uma fusão que nos permite alcançar essa liderança. Temos muitos projetos e iniciativas que nos vão permitir de crescer de forma orgânica, portanto, é esse o nosso foco: tirar partido de todo esse potencial.

Anunciaram a intenção de lançar em Portugal um serviço de entregas com a Stuart, empresa do grupo. Há data para isso acontecer?

Essa operação, que ainda não sabemos como se irá chamar, está a ser preparada e terá o arranque nos próximos meses, sem poder dizer ao certo quando.

Ainda este ano?

Será provavelmente no início do próximo ano e neste momento temos as equipas do head office a nos ajudar a tirar partido de toda a experiência que o grupo já tem acumulado neste tipo de negócios e a preparar um lançamento para Portugal. Teremos uma operação piloto para o ano, em Lisboa.

Vão investir 25 milhões num novo centro logístico em Lisboa. Como o vão rentabilizar?

Um projeto industrial destes não se rentabiliza num ano, nem dois, é um projeto escalável, os 25 milhões não é o investimento final, está previsto, em função das escalas que vamos atingir poder redimensionar o projeto. É um projeto para os próximos 15 a 20 anos para a região de Lisboa. Nesta primeira fase já nos vai permitir triplicar a capacidade por hora, passando de um centro atual onde já atuamos de cerca de quatro mil encomendas processadas por hora para 12 mil por hora.

E o objetivo é aumentar, diz.

A ideia é quando estiver saturado continuar a aumentar, mas vai passar uns anos. Estamos a falar de aumentar a capacidade de triagem não necessariamente o espaço em si. O equipamento que vamos aumentar é crescer.

Só para encomendas? Não há nenhum outro negócio em vista?

Só encomendas.

A concessão do serviço postal está a terminar. Tendo em conta que a empresa mãe, a La Poste, é um dos grandes operadores postais a nível mundial, é um negócio que equacionam olhar?

Não temos intenção de concorrer a esse concurso.

Porque é um negócio que não tem a perspetiva de crescimento que as encomendas têm ou a atual atividade do regulador, a Anacom, não está a tornar esse negócio tão estimulante para eventuais parceiros?

Estou a falar como membro do DPD Group, a holding do grupo La Poste que se dedica a encomendas. O nosso foco é esse. Existe uma divisão do grupo La Poste que se dedica a apenas correio e só tem operação em França, em última instância seria a estes profissionais a quem deveria ser dirigida a pergunta, mas pelo menos observo que apenas em França temos uma operação de correio a decorrer.

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