Setor automóvel teme aumento do desemprego com restrições de incentivos

ACAP teme aumento das compras de automóveis a gasolina e a gasóleo e de automóveis usados importados, com subida das emissões poluentes

Da "irritação" à "maior desilusão das últimas décadas". A Associação Automóvel de Portugal (ACAP) está contra a redução dos incentivos para a compra de automóveis híbridos e plug-in e teme o aumento do desemprego nesta indústria. A posição foi defendida esta quinta-feira em conferência de imprensa realizada em formato remoto.

"Vamos assistir ao aumento do desemprego. Por muito que os empresários o façam, isso vai acontecer. Vamos assistir ao aumento das vendas de carros a gasolina e gasóleo. Isto é um incentivo à compra de veículos usados", lamentou o presidente da ACAP, José Ramos, em resposta às perguntas dos jornalistas.

A partir do próximo ano, os carros híbridos e plug-in terão apoios mais limitados na sua aquisição, depois de aprovada, na quarta-feira, uma proposta do PAN que restringe os incentivos. O apoio será atribuído tendo em conta uma autonomia de 50 km e emissões de CO2 inferiores a 50g/km.

Na prática, os veículos híbridos comuns deixarão de ter este incentivo, por "impossibilidade técnica", referiu o secretário-geral da ACAP, Helder Pedro. Só nos híbridos plug-in, com fonte de alimentação externa, é possível calcular essa autonomia.

A proposta foi viabilizada graças aos votos favoráveis do PS e do Bloco de Esquerda. O PCP, o CDS, o Chega e a Iniciativa Liberal votaram contra. O PSD absteve-se.

Na versão original, que foi aprovada na terça-feira, os deputados o PAN restringiam o incentivo a veículos com autonomia superior a 80 km o que excluía a maior parte dos híbridos e plug-in disponíveis no mercado.

"Muitos destes automóveis são híbridos plug-in 'de fachada', argumentam os deputados do PAN, indicando que são assim "considerados porque têm baixas autonomias em modo elétrico, raramente são carregados, têm potentes motores de combustão interna, e são também com frequência grandes e pesados (muitos são SUV), o que os faz apresentar na prática emissões de CO2 duas a quatro vezes superiores às contabilizadas nos testes", argumentam.

A ACAP contesta estas conclusões: "estão a pegar num estudo em que os carros foram testados em percursos fora das cidades, que raramente percorrem", assinalou o presidente do conselho estratégico da associação, Pablo Puey.

A situação também pode contribuiu para envelhecer, ainda mais, o parque automóvel nacional. No final de 2019, a idade média dos carros ligeiros em Portugal era de 12,8 anos. Este indicador tem envelhecido gradualmente nos últimos anos: em 2010, cada carro em circulação tinha 10 anos.

Um carro com perto de 13 anos "cumpre apenas a norma de emissões Euro 4, com 30 gramas mais de dióxido de carbono do que um carro atual a combustão", segundo Pablo Puey.

Ao mesmo tempo, o peso dos automóveis usados importados é cada vez maior. Até setembro, já representavam mais de 40% das vendas de automóveis novos, conforme os dados recolhidos pelo Dinheiro Vivo junto do Instituto Nacional de Estatística e da ACAP.

(Notícia atualizada pela última vez às 16h25 com mais informação)

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