Sical comemora 75 anos com novos segmentos de café

Empresa vai alargar a gama de café torrado e em breve lança o solúvel. Aposta na sustentabilidade é mote da Nestlé, que modernizou a fábrica do Porto.

A Sical está em festa. Chegar aos 75 anos de existência não é para todos e a Nestlé - que detém a empresa portuguesa de cafés - celebra uma das suas marcas mais icónicas.
Em ano de aniversário, a Sical vai alargar a gama de café torrado e, num prazo de duas semanas, será lançado o Sical solúvel, revelou ao Dinheiro Vivo a diretora de negócio de cafés no retalho.

É "um segmento muito importante em Portugal. Como Nestlé, só estamos com a marca Nescafé, a nível mundial e, pela primeira vez, com a celebração dos 75 anos, vamos conseguir alargar a Sical e entrar no segmento solúvel", avança Teresa Mendes.

Além das novidades, a responsável notou a aposta da Nestlé na sustentabilidade e relembrou que as embalagens do café Sical são 100% recicláveis.

Para o diretor de negócio ibérico de cafés profissionais, Vítor Manuel Martins, a preocupação com o ambiente é um critério imprescindível da Nestlé. "Desde o início que nos preocupamos com a sustentabilidade, desde o pequeno ou médio agricultor, no Brasil ou no Vietname, que produzem e nos vendem o café em grão que depois torramos. Também temos a preocupação com as embalagens e também com os transportes. A nível do canal Horeca [hotéis, restaurantes e cafés] fazemos as entregas em carrinhas e estamos num caminho de mudança para veículos elétricos".

Na fábrica do Porto

Os responsáveis esclarecem também que todo o café que a empresa adquire é 100% certificado. "Todas as certificações têm os princípios do 4C porque garante os parâmetros de direitos humanos, de valor justo, do uso de pesticidas, etc.", explica Vítor Martins.
A redução do impacto do negócio é importante e faz-se também na fábrica onde o café da Sical (entre outros) é produzido. Na unidade da Nestlé, no Porto, foram investidos nos últimos três anos cerca de oito milhões de euros.

Um investimento que não foi na sua totalidade centrado na sustentabilidade, mas permitiu modernizar a fábrica e apostar em tecnologias que a podem viabilizar, frisou o diretor daquela instalação, Rui Vieira. "Uma grande parte dos materiais das embalagens que usamos já são 100% recicláveis e, também graças a este investimento, temos uma grande redução no consumo de energia e de água, principalmente este ano".

Ao todo, e em comparação com 2021, verificou-se uma redução de cerca de 20% do consumo de energia e de quase 10% de água da fábrica. "Isto é importantíssimo para a sustentabilidade e também acaba por suportar o investimento neste ano complicado de inflação e de aumento dos custos de energia", ressalva.

Em tempos de crise

E, à laia de novidade sobre o futuro da fábrica, Rui Vieira partilhou o investimento de dois milhões de euros aprovado para a sua modernização em 2023. "Este valor pode ou não aumentar, porque ainda estamos com outros projetos em estudo", ressalva.

A atual crise económica e todas as dificuldades advindas da guerra na Ucrânia - nomeadamente o aumento do preço da energia - acabaram por, inevitavelmente, ter algum impacto na Nestlé. No que à unidade fabril diz respeito, Rui Vieira explica que, até ao final de junho, houve um aumento do preço da energia, superior a 25%. "Isto faz com que, com a redução que estamos a conseguir garantir, quase consigamos fazer o offset do custo da energia. Em termos de valor, não temos um acrescento no custo de energia este ano porque temos um menor consumo. Mas se nada tivéssemos feito, estaríamos a sofrer um incremento de 25%", afirma.

Em relação ao transporte, aquisição de café ou de matérias-primas para as embalagens, o responsável diz não ter detetado problemas. "Por vezes, temos algumas greves nos transportes nos países vizinhos, nomeadamente em Espanha, e sentimos alguns atrasos. Mas como a maioria do café verde vem por contentor marítimo, o problema não se prende com isso".

Como refere Vítor Manuel Martins, numa crise como esta, e até para garantir produto acessível para os consumidores, há muito que fazer. "A Nestlé tem de ter cobertura em stock mais longa, bem como os acordos com os produtores. Só assim há uma garantia que o produto chega cá na mesma e temos para armazenar, torrar, produzir e entregar aos clientes para chegar ao consumidor", refere.

Uma declaração secundada por Teresa Mendes. "A Nestlé tem uma robustez global que nos permite ter essa segurança, mas com uma cobertura e investimento superior ao que seria necessário numa situação normal". Um investimento que não é fácil quantificar porque não é feito de forma isolada, sendo oriundo de várias fontes e é internacional, remata.

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