Ferrovia

Siemens e Alstom lamentam chumbo de Bruxelas à fusão ferroviária

EPA/ETIENNE LAURENT
EPA/ETIENNE LAURENT

Para a Siemens e para a Alstom, a fusão iria permitir "criar valor ao setor da mobilidade" e à infraestrutura ferroviária europeia.

A empresa tecnológica Siemens e o grupo industrial francês Alstom lamentaram hoje o ‘chumbo’ da Comissão Europeia à fusão entre ambas, que iria criar um novo gigante europeu na ferrovia, argumentado que o negócio beneficiaria a mobilidade na Europa.

Em comunicado, ambas as empresas “lamentam” a decisão de Bruxelas, considerando que os remédios apresentados ao executivo comunitário respondiam às preocupações relativas à concorrência.

Para a Siemens e para a Alstom, a fusão iria permitir “criar valor ao setor da mobilidade” e à infraestrutura ferroviária europeia, beneficiando também os passageiros, isto sem prejudicar a concorrência na Europa.

Também em comunicado, o presidente executivo da Siemens, Joe Kaeser, vinca que “proteger os interesses dos consumidores locais não significa privar a Europa de estar em pé de igualdade com empresas de países como a China e os Estados Unidos”.

Por isso, o responsável pede uma “reestruturação urgente” da política industrial europeia, de forma a conseguir competir com concorrentes como os chineses.

A Comissão Europeia ‘chumbou’ hoje a fusão da Alstom com a Siemens, considerando que o negócio iria “reduzir significativamente a concorrência” na Europa na área dos comboios de alta velocidade.

Falando em conferência de imprensa, em Bruxelas, a comissária europeia para a Concorrência, Margrethe Vestager, defendeu que, caso o negócio avançasse, “iria reduzir significativamente a concorrência nos mercados dos sistemas de sinalização ferroviária e dos comboios de alta velocidade”, já que iria implicar “uma posição dominante” neste setor a nível europeu.

“A fusão poderia ter tido aval se os remédios que nos foram apresentados nos tivessem dado garantias de concorrência, mas os remédios propostos não foram suficientes para colmatar as nossas preocupações”, salientou a comissária.

A decisão surge depois de uma investigação aprofundada de Bruxelas à fusão.

“Queremos assegurar que uma eventual fusão não leva a preços mais altos para os consumidores europeus”, vincou Margrethe Vestager.

De acordo com a comissária europeia, foram consultadas associações do setor, empresas e uniões de comércio e todas deram um “‘feedback’ negativo à operação”.

“É bom ser grande [em termos de mercado], essa não é a questão, mas as outras empresas não iriam conseguir acompanhar a concorrência criada pela fusão”, adiantou.

Sediada na Alemanha, a Siemens é uma multinacional que atua na área ferroviária (eletrificação e criação de sistemas para comboios) e das tecnologias de informação.

Por seu lado, a Alstom é uma empresa industrial francesa que produz materiais para comboios.

Anunciada em setembro de 2017, a fusão iria criar um novo gigante europeu na ferrovia, com presença em 60 países e um volume de negócios anual de 15,6 mil milhões de euros e enfrentar o grupo CRRC e os canadianos da Bombardier.

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