Coronavírus

Sindicato acusa Teleperformance de recusar encerrar ‘call-center’

Foto: Teleperformance Portugal
Foto: Teleperformance Portugal

O Sindicato dos Trabalhadores de ‘Call Center’ (STCC) acusou esta terça-feira a empresa Teleperformance de se recusar a encerrar um ‘call-center’ em Lisboa, apesar de diversos casos confirmados de covid-19, de acordo com um comunicado.

“O STCC tem conhecimento de vários casos confirmados de covid-19 no ‘call-center’ da Teleperformance da Infante Santo. Existe a confirmação de um caso na campanha Bankinter no piso -2 do edifício e de, pelo menos, três casos na campanha Chubb no piso 2. Um deles encontra-se já hospitalizado”, alertou a estrutura sindical.

A Lusa contactou a Teleperformance, mas a empresa não quis comentar esta questão.

Na mesma nota, divulgada hoje, o STCC indicou que “apesar de esta empresa estar em transição para teletrabalho há ainda cerca de 200 trabalhadores no local, a aguardar” e garantiu que o grupo “está informado pelo menos desde a semana passada” desta situação.

“Apesar disso, insiste que os trabalhadores se apresentem ao trabalho, inclusive os colegas que trabalhavam perto dos trabalhadores infetados”, disse a estrutura sindical, acusando ainda a Teleperformance de “pressionar os trabalhadores a colocar férias de forma a poderem ir para casa”.

“O STCC desde o primeiro momento que tem tentado apelar à empresa que encerre o ‘call-center’ e envie todos os trabalhadores para casa, sem perda de remuneração. Não obtivemos nenhuma demonstração de abertura por parte da empresa no sentido de defender a saúde e a vida dos seus funcionários”, garantiu o sindicato.

Os representantes dos trabalhadores informaram igualmente a Direção-Geral da Saúde, a Unidade de Saúde Pública local e a Autoridade para as Condições de Trabalho (ACT), “até ao momento sem efeitos”, garantiu o STCC.

“Para evitar causar alarme, o STCC tem evitado tornar esta situação pública. Porém, perante a irresponsabilidade da Teleperformance e a ausência de resposta das entidades públicas, estamos obrigados a tornar pública esta situação. Vemo-nos obrigados a tal, dado ser a única forma de alertar e proteger os nossos sócios, colegas e as suas famílias”, explicou o sindicato.

Além disso, recordou a estrutura, o aviso prévio de greve que lançou, a partir de dia 24 de março “continua até dia 05, pelo que os trabalhadores podem e devem ausentar-se do trabalho sem temer qualquer represália”

“Exigimos o encerramento imediato de todos os ‘call-centers’ ainda a laborar. Todos os trabalhadores devem ser enviados para casa sem perda de rendimentos enquanto dura a transição para teletrabalho”, exigiu o sindicato.

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