Greve na Ryanair

Sindicato de pessoal de voo acusa governo de “aniquilar” direito à greve

Fotografia: Ralph Orlowski/ Reuters.
Fotografia: Ralph Orlowski/ Reuters.

Sindicato diz que recebeu aviso da Ryanair que ameaça com processos disciplinares quem não cumprir serviços mínimos. Governo impôs seis ligações.

O Sindicato Nacional do Pessoal de Voo da Aviação Civil (SNPVAC) acusa o governo de estar “a aniquilar o direito à greve dos portugueses” depois de o Ministério do Trabalho ter decretado serviços mínimos para os cinco dias de paralisação do pessoal de cabine da transportadora Ryanair, marcados para entre quarta-feira e domingo.

O despacho de serviços mínimos, da última sexta-feira e hoje comunicado ao SNPVAC, impõe a realização de seis ligações diárias entre Lisboa e Paris, Berlim, Colónia, Londres, Ponta Delgada e Terceira.

A imposição é justificada com “a duração relativamente longa da greve”, a procura acrescida por transporte aéreo no verão, a intenção de evitar concentração de pessoas nos aeroportos por razões de segurança, a necessidade de assegurar deslocações a quem vive nos Açores e Madeira, a existência de comunidades portuguesas em Inglaterra, França e Alemanha, e ainda “o facto de Portugal ser cada vez mais um destino de eleição para os turistas europeus, com particular enfoque na época estival”.

Segundo o SNPVAC, incluído no pacote de serviços mínimos está um voo que a Ryanair não faz: Lisboa-Berlim.

O sindicato que representa o pessoal da Ryanair diz que o despacho do governo “condiciona o direito à greve dos tripulantes da Ryanair”. A estrutura “repudia veementemente mais uma tentativa do governo em aniquilar o direito à greve dos portugueses e, em particular, dos tripulantes da Ryanair, bem como, não aceitamos que se defenda os interesses económicos de uma empresa privada e estrangeira em detrimento dos direitos de trabalhadores portugueses”.

A greve é convocada pelo SNPVAC para forçar a Ryanair ao cumprimento da legislação portuguesa no que toca aos dias de férias e subsídios atribuídos, assim como à integração dos trabalhadores contratados – nalguns casos, há nove anos, segundo o sindicato – através de empresas de trabalho temporário.

A Ryanair, que emitiu esta segunda-feira um comunicado a dizer que mantém a disponibilidade para negociar, não está a avisar passageiros de eventuais cancelamentos de voos. Em comunicado, diz apenas que deverá haver alterações de horários e que os passageiros já estão a ser notificados. Além de Portugal, estão no mesmo período em greve os pilotos britânicos da companhia. Já em setembro, a transportadora deverá enfrentar uma greve dos seus trabalhadores em Espanha.

Sobre a disponibilidade para negociar, o Sindicato Nacional do Pessoal de Voo da Aviação Civil acusa a Ryanair de estar a fazer “contrainformação”. Luciana Uva Passo, a presidente da estrutura, diz que a única comunicação recebida da Ryanair, esta segunda-feira, foi um e-mail no qual a companhia ameaça os trabalhadores com processo disciplinar caso falhem os serviços mínimos.

“Já estão a ameaçar com processos disciplinares e ainda não aconteceu nada. Ainda podíamos estar a negociar qualquer coisa”, entende a dirigente, segundo a qual na sexta-feira o SNPVAC enviou à Ryanair um pedido para entrar em negociações para o qual não teve qualquer resposta.

Luciana Uva Passo acusa também a Ryanair de estar a convocar os tripulantes que ficarão adstritos aos serviços mínimos, ao contrário do que prevê a lei laboral e à semelhança do diferendo verificado no início da greve dos motoristas de matérias perigosas, que terminou na última madrugada. Também aqui a empresa não terá fornecido as escalas de trabalho necessárias para a afetação dos trabalhadores.

“Mais uma vez, faz tábua rasa da legislação nacional”, acusa a presidente do sindicato, que denuncia ainda a possibilidade de haver substituição de grevistas.

“Estão a organizar ‘reverse flights‘. Vão sair aviões de outras bases só com tripulantes, e os aviões vazios, para depois, na manhã do primeiro dia de greve, operarem a partir das bases de Portugal – nomeadamente, Lisboa – com essas tripulações estrangeiras e outros aviões que não pertencem às bases”. É, segundo a dirigente, “mais uma ilegalidade”.

Contactada pelo Dinheiro Vivo, a Ryanair diz que não tem nada a acrescentar ao comunicado emitido esta segunda-feira.

Comentários
Outras Notícias que lhe podem interessar
Hoje
EPA/MICHAEL REYNOLDS

Ação climática. Portugal vai ter de gastar mais de um bilião de euros

Quartel da Graça, em Lisboa. (Fotografia: D.R.)

Revive: Sete hoteleiros na corrida para transformar o Quartel da Graça

Thomas Cook era a agência turística mais antiga do mundo. ( EPA/ARMANDO BABANI)

Thomas Cook declarou falência. 600 mil turistas procuram solução

Outros conteúdos GMG
Sindicato de pessoal de voo acusa governo de “aniquilar” direito à greve