Trabalho

Sindicato promove protestos em pousadas do Centro contra “salários muito baixos”

Pousada Castelo de Óbidos
Pousada Castelo de Óbidos

Trabalhadores marcaram protesto para sábado, junto à Pousada Castelo de Óbidos.

O grupo Pestana paga “salários muito baixos” e impõe “elevados ritmos de trabalho”, afirmou esta quinta-feira o sindicato da indústria hoteleira do Centro, que vai denunciar a situação junto de clientes das três maiores Pousadas de Portugal na região.

A empresa das Pousadas de Portugal (grupo Pestana) “paga salários muito baixos” aos seus trabalhadores, “impõe elevados ritmos de trabalho e desregula os horários de trabalho, com todas as consequências negativas que isto acarreta para a saúde e a vida pessoal e familiar dos trabalhadores”, acusa o Sindicato dos Trabalhadores do Indústria Hoteleira, Turismo, Restaurantes e Similares do Centro (STIHTRSC).

“O maior grupo hoteleiro de Portugal” paga salários muito inferiores aos da generalidade dos hotéis de quatro e cinco estrelas, apesar dos lucros, e “recusa aumentos salariais aos trabalhadores das Pousadas de Portugal”, sublinha o Sindicato, anunciando que vai denunciar a situação junto de clientes das três maiores pousadas da sua área de influência (região Centro).

Embora ainda sujeita a confirmação, uma dessas “ações de denúncia e de protesto”, envolvendo designadamente a “distribuição de um comunicado em português e inglês aos clientes”, ocorrerá à porta da Pousada Castelo de Óbidos, no sábado, às 10h30 (as duas outras maiores pousadas da região são as da Serra da Estrela e de Viseu).

Numa nota enviada hoje à agência Lusa, a estrutura sindical recorda que a Federação dos Sindicatos da Agricultura, Alimentação, Bebidas, Hotelaria e Turismo de Portugal (FESAHT) assinou com a empresa “aumentos salariais em 2018, depois de 10 anos sucessivos de bloqueamento negocial, que não repõem, sequer, a inflação registada nesse período”.

Mas as Pousadas “registam uma excelente ocupação nas dormidas e crescimento de receitas” e têm tido “lucros sucessivos nos últimos sete anos, muito acima da generalidade das unidades hoteleiras”, destaca o Sindicato.

“Em 2018, as Pousadas de Portugal obtiveram receitas de 41 milhões de euros”, acrescenta o STIHTRSC.

Os preços do alojamento e da restauração nas Pousadas são “muito superiores aos praticados nos hotéis de quatro e cinco estrelas”, afirma ainda o Sindicato, sustentando que “não há nenhuma razão para a empresa não pagar salários justos e dignos aos trabalhadores e muito menos para recusar negociar aumentos salariais em 2019, alegando, pasme-se, que deu aumentos em 2018”.

O Grupo Pestana “paga salários muito baixos a centenas de trabalhadores, que recebem entre 600 e 635 euros, e paga o salário mínimo nacional de 600 euros a alguns trabalhadores”, salienta a estrutura sindical.

“A generalidade dos hotéis de quatro e cinco estrelas pagam salários muito superiores aos praticados pelo grupo Pestana nas Pousadas”, assegura.

Antes de serem privatizadas, as Pousadas de Portugal “empregavam mais de 1.200 trabalhadores”, tendo hoje, de acordo com o STIHTRSC, “pouco mais que 600 trabalhadores, por força dos despedimentos realizados ao longo destes 15 anos de gestão privada”, conclui o sindicato.

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