Telecomunicações

Sindicatos preocupados com “ilegalidade” de trabalhadores na Altice

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A Frente Sindical afirma estar “fortemente preocupada” com os casos dos 190 funcionários sem funções, exigindo uma resposta da empresa.

A Frente Sindical que representa os trabalhadores da operadora Altice, e que esta quinta-feira esteve reunida com a administração, disse estar “fortemente preocupada” com os casos dos 190 funcionários sem funções, exigindo uma resposta da empresa a estas “ilegalidades”.

“A nossa reunião de hoje, da Altice com a Frente Sindical, tinha a perspetiva de encontrar soluções negociáveis para essas situações dos trabalhadores sem funções, que ainda são cerca de 190 trabalhadores, mesmo assim menos do que os cerca de 300 que já foram”, afirmou à agência Lusa o presidente do Sindicato dos Trabalhadores do Grupo Portugal Telecom (STPT), Jorge Félix, um dos sindicalistas presentes no encontro.

Segundo o responsável, “as feridas que foram deixadas pela anterior gestão estão a ser progressivamente resolvidas”, mas ainda falta dar resposta à situação destes trabalhadores sem funções, que é “de ilegalidade e de irregularidade”.

“É uma situação que nos preocupa fortemente”, admitiu, assinalando que este é “um dos problemas sociais e legais mais complicados” da empresa, e que cria “uma certa instabilidade”.

Além do STPT, participaram na reunião os sindicatos Nacional dos Trabalhadores das Telecomunicações e Audiovisual (SINTTAV), Nacional dos Trabalhadores dos Correios e Telecomunicações (SNTCT), dos Quadros das Comunicações (SINQUADROS) e dos Trabalhadores das Telecomunicações (STT), enquanto em representação da empresa esteve a diretora de Recursos Humanos da Altice, Ana Rita Lopes.

“A resposta que a empresa nos deu é que fará progressivamente com que esses trabalhadores sejam colocados em outras áreas e dará formação para que eles possam desempenhar outras funções” que não as que anteriores, referiu Jorge Félix.

De acordo com o sindicalista, a Altice considerou, porém, que “há situações que não têm resolução, que são trabalhadores que, por questões físicas e mentais, não têm capacidade para desempenhar qualquer função”.

Esses casos “são vistos pela empresa como um custo social que terá de assumir, porque quer fazer transformações e alterações em termos orgânicos, nomeadamente redução de efetivos em determinadas áreas, deslocando-os para outras”, notou o sindicalista, classificando estes processos como “compreensíveis” pela aposta tecnológica que a Altice quer fazer.

Além disso, “a solução não passa pelo despedimento coletivo e isso é muito importante”, observou Jorge Félix.

Outro dos assuntos abordados no encontro foi a situação dos 155 trabalhadores da Altice que foram transferidos para empresas do grupo, como a Tnord, Sudtel, Winprovit, através do regime de transmissão de estabelecimento.

“A Altice continua a considerar que a solução ideal seria retirar os processos que estão em tribunal”, interpostos por 84 trabalhadores transferidos, que ficariam nas empresas para as quais transitaram mediante algumas garantias, explicou o responsável do STPT.

Em contrapartida, a Altice assegurou “o acesso ao plano de saúde e a algumas regalias como o pacote de comunicações”, bem como a ressalva de que não serão despedidos durante cinco anos.

Falando sobre a atual situação laboral, Jorge Félix admitiu que “não está calma”, mas reconheceu que “a empresa aparenta alguma vontade de serenar os ânimos”.

“A Altice foi clara ao dizer que gere os recursos humanos consoante os seus interesses. Primeiros está o negócio e só depois os interesses dos trabalhadores”, adiantou.

Em agosto passado, a Altice firmou um novo acordo coletivo de trabalho com os sindicatos, prevendo, entre outras questões, aumentos salariais, que entraram em vigor aquando da assinatura do documento.

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