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Sites de suplementos alimentares Zumub e Prozis bloqueados em Itália

Miguel Milhão, fundador da Prozis, começou do zero com uma garagem na Póvoa do Lanhoso, e expandiu-se rapidamente para toda a Europa, depois para o Brasil e agora vende para todo o mundo (Foto: Carlos Santos Silva / Global Imagens)
Miguel Milhão, fundador da Prozis, começou do zero com uma garagem na Póvoa do Lanhoso, e expandiu-se rapidamente para toda a Europa, depois para o Brasil e agora vende para todo o mundo (Foto: Carlos Santos Silva / Global Imagens)

Os ‘sites’ de venda ‘online’ de suplementos alimentares Zumub.com e Prozis.com estão inacessíveis desde quarta-feira em Itália, reportando as empresas portuguesas um prejuízo diário de milhares de euros naquele que é um dos seus principais mercados.

Em declarações à agência Lusa, o diretor-geral da Zumub explicou que a página eletrónica da empresa está inacessível em Itália desde as 20:00 de quarta-feira, tendo os seus técnicos informáticos apurado que o mesmo acontecia com o ‘site’ da concorrente portuguesa Prozis e com mais um ‘e-commerce’ espanhol de venda de suplementos alimentares.

“A situação manteve-se assim durante todo o dia de ontem [quinta-feira] e até ao momento”, afirmou Urbano Veiga, explicando que “os visitantes que acedem ao ‘site’ recebem uma mensagem de erro porque o DNS [do inglês ‘Domain Name System’ ou Sistema de Nomes de Domínio, que localiza e traduz os endereços dos ‘sites’ para números IP] dos respetivos domínios foi bloqueado em Itália”.

Segundo refere, “estes bloqueios foram reportados por centenas de utilizadores italianos” e estão a ocorrer nas duas maiores empresas de serviços de internet italianas (Telecom Italia e Vodafone), apesar de a Telecom Italia afirmar que não existe nenhum bloqueio ativo”.

De acordo com o diretor-geral da Zumub, “outros grandes ‘e-commerce’ europeus de outras áreas de negócio (num conjunto de mais de 100 ‘sites’ testados) continuam a funcionar dentro da normalidade”, sendo que, “até ao momento, a Zumub.com não foi notificada por quaisquer autoridades italianas de que o seu sítio estivesse banido em Itália”.

Embora admita poder tratar-se de um problema técnico alheio à empresa, o diretor-geral da Zumub considera a situação “muito estranha”, já que parece afetar apenas duas empresas portuguesas e uma espanhola do mesmo setor de atividade, e destaca o forte impacto financeiro que está a ter na atividade da empresa em Itália.

Com uma faturação anual de 5,2 milhões de euros, a Zumub fatura cerca 100 mil euros por mês em Itália, que é o seu principal mercado internacional, num total de 1,2 milhões de euros/ano, e diz estar a ter um prejuízo diário na ordem dos sete mil euros com este bloqueio.

A Zumub integra, juntamente com a transportadora de ‘e-commerce’ Delnext, o grupo português Combinação Pura, cujo volume de negócios anual ascende a sete milhões de euros, 60% dos quais no exterior.

Contactado pela agência Lusa, o fundador e presidente da empresa portuguesa de nutrição desportiva Prozis disse estar a ser afetado por uma situação semelhante, também desde quarta-feira à noite.

“Já estamos a investigar esta situação e a falar com a Vodafone e a Telecom Italia”, afirmou Miguel Milhão, convicto de que se trata de “uma espécie de sabotagem”: “Nós já estávamos a desconfiar que isto era sabotagem, mas se existe outra empresa com o mesmo problema da mesma área, então definitivamente é sabotagem”, sustentou, admitindo que a iniciativa parta da “concorrência italiana”.

Conforme explicou, “alguém que tem a acesso à rede está ativamente a criar confusão para não ser possível aos clientes de Itália acederem ao portal” das empresas portuguesas, direcionando os respetivos DNS para o ‘local host’, ou seja, para o computador do próprio cliente, o que impede o acesso aos ‘sites’.

Garantindo que se trata de uma situação inédita nos 14 anos de vida da empresa, que fatura 200 milhões de euros/ano, dos quais 50 milhões em Itália, Miguel Milhão fala num prejuízo diário em torno dos 150 mil euros.

“Cada dia que passa é uma fortuna”, lamentou, admitindo que a posição “tão dominante” da Prozis no mercado gere inimizade e prevendo que a situação vá desembocar em “anos de processos judiciais”, dado o “nível de ilegalidade impressionante” em causa.

Quanto à probabilidade de se tratar de um problema técnico, não intencional, o presidente da Prozis diz que “seria como ganhar o Euromilhões”.

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