SNPVAC "perplexo" com silêncio dos partidos quanto a reestruturação que prevê saída de 3600 trabalhadores

Sindicato dos tripulantes diz estar "perplexo" com silêncio dos partidos e governo em relação ao plano de reestruturação da TAP, que a administração da TAP revelou na semana passada, e que prevê saída de 3600 trabalhadores. Sindicato vai pedir reunião

O sindicato que representa os tripulantes está perplexo com o silêncio dos partidos e governo quanto ao plano de reestruturação da TAP. "O SNPVAC manifesta a sua total perplexidade pelo 'silencio ensurdecedor' adotado por todos os partidos políticos com assento parlamentar, bem como o Governo, face ao plano de restruturação apresentado pela administração da TAP na passada sexta feira que prevê a saída de 3600 trabalhadores, entre despedimentos e contratados a prazo e um corte da massa salarial de 25%", indica o sindicato em comunicado.

O Sindicato Nacional do Pessoal de Voo da Aviação Civil (SNPVAC) nota ainda que "só no que respeita aos tripulantes de cabine a TAP quer despedir 750 trabalhadores efetivos a que se somam mais de 1000 com contratos a prazo. São mais de 1750 tripulantes de cabine que vão ficar sem trabalho".

O sindicato liderado por Henrique Louro Martins transmitiu, de acordo com o comunicado, à administração que há "soluções alternativas que permitem salvaguardar postos de trabalho, minimizando assim o número total de despedimentos. Como já defendemos não é com reduções salariais e com despedimentos que se vai salvar a TAP, mas sim com uma intervenção de cariz financeiro que capacite a Empresa para os anos vindouros".

Dada a situação da TAP, o sindicato vai pedir audiências com "caráter de urgência, a todos os partidos e deputados independentes, com assento parlamentar, para lhes dar conta das nossas legitimas preocupações e lhes apresentar as diversas alternativas possíveis para uma restruturação da TAP que vá muito além dos despedimentos e cortes da massa salarial".

Este comunicado surge depois de, esta manhã, a transportadora aérea ter comunicado ao mercado que, nos primeiros nove meses, teve prejuízos de mais de 700 milhões de euros. O resultado significa um agravamento dos prejuízos em 589,8 milhões de euros relativamente ao mesmo período do ano passado, para o qual contribuíram os 118,7 milhões de euros de resultados negativos no terceiro trimestre deste ano.

Em termos de EBITDA (rendimentos antes de juros, impostos, depreciações e amortizações), os prejuízos da TAP atingiram os 172,9 milhões de euros nos primeiros nove meses do ano, um agravamento face aos lucros de 388,7 milhões de euros registados em igual período de 2019.

Já os resultados operacionais da companhia registaram, nos primeiros três trimestres deste ano, um prejuízo de 610,2 milhões de euros, uma variação negativa de 653,8 milhões de euros face aos lucros de 43,6 milhões de euros registados em igual período de 2019.

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