SNPVAC: TAP precisa de uma "injeção de capital forte" que pode ir até aos 4 mil milhões

O plano de reestruturação da TAP tem de ser submetido a Bruxelas até dia 10 de dezembro. Sindicato que representa tripulantes, em entrevista à RTP, admite que a companhia aérea precisa de uma injeção de capital forte para que possa ser sustentável a médio prazo.

O Sindicato Nacional do Pessoal de Voo e da Aviação Civil (SNPVAC) admite que a TAP precisa de uma nova injeção de capital que pode ascender a quatro mil milhões de euros. Em entrevista à RTP3, nesta segunda-feira, 23 de novembro, Henrique Louro Martins, salientou que o processo de reestruturação "já começou" para os tripulantes de cabine da TAP "tanto em termos salariais como em termos de saídas dos trabalhadores", uma vez que várias de dezenas dos contratos a prazo que não foram renovados eram de tripulantes.

"Quando se fala com esta ligeireza de despedimentos numa empresa que contribui com 2% para o PIB nacional, enquanto se fala na diminuição salarial, há que encarar o problema de frente e perceber que não é com redução de salários que a TAP vinga no mercado do transporte aéreo. A TAP necessita de uma injeção de capital forte e profunda para que daqui a um ano, dois, daqui a mais 75 anos que esperemos que dure, consiga ser uma empresa fortemente consolidada em termos financeiros. É preciso apostar numa injeção de capital para a empresa", afirmou.

Esta injeção de capital seria para somar aos 1.200 milhões de euros que o grupo TAP está a receber desde o verão, no âmbito de uma Ajuda de Estado negociada entre o governo e Bruxelas. "Tenho medo de os dizer para não ser mal interpretado. Conseguimos falar aqui de quatro mil milhões de euros e não andaria longe do que estou a dizer", admitiu.

Questionado sobre para que seria canalizado esse dinheiro, Henrique Louro Martins sustentou que seria para que a transportadora possa ficar numa situação "em que possa ter um futuro, em que possa sustentar-se sozinha e seja uma empresa independente e que tenha um caminho na rota do sucesso".

Ao longo da entrevista, o responsável deixou claro que não conhece os planos que estão em cima da mesa para a empresa, no âmbito da reestruturação, mas assume que possa negociar uma redução salarial para os tripulantes "desde que esta seja uma posição transversal a toda a companhia. Toda a companhia tem de se unir. Os esforços têm de ser feitos por igual. Não pode uns filhos e outros enteados".

Henrique Louro Martins esclareceu que ia ter um encontro com o ministro Pedro Nuno Santos na próxima semana, dia 2 de dezembro. Notou ainda que a relação com o atual conselho de administração da TAP é melhor que com o anterior.

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