"Só no dia em que os espanhóis mudarem para a bitola europeia é que nós vamos mudar"

Ministro das Infraestruturas, Pedro Nuno Santos, reforça que Portugal não tem qualquer problema com a bitola ferroviária e que isso não põe em causa o tráfego de mercadorias.

Portugal não vai mudar de carris nos próximos anos. A rede ferroviária nacional vai continuar a funcionar com a bitola ibérica, ou seja, a largura dos carris será a mesma utilizada em Espanha. Esta foi a resposta do ministro das Infraestruturas e da Habitação, Pedro Nuno Santos, ao deputado do PSD Carlos Silva, durante a audição desta quarta-feira, na especialidade, relativa ao Orçamento do Estado para 2021.

"Só no dia em que os espanhóis mudarem para a bitola europeia é que nós vamos mudar. Não podemos fazer o que os nossos vizinhos não fazem", respondeu Pedro Nuno Santos.

Na mesma resposta, o ministro assinalou que "não há nenhum problema com a bitola" e lembrou mesmo a postura do governo espanhol na mais recente cimeira ibérica, na Guarda, que decorreu no início de outubro.

"Na última cimeira ibérica, tentámos perceber se o Governo espanhol tinha planeamento de mudança de bitola. Não está planeado do lado espanhol a mudança da bitola ibérica para bitola europeia. Não havendo essa mudança do lado espanhol, não faz sentido estarmos a construir linhas ferroviárias em bitola UIC quando os espanhóis não o estão a fazer nem isso está previsto", complementou o ministro.

Nas últimas décadas, a indústria tem defendido que Portugal deve passar a utilizar a utilizar carris com bitola europeia de modo a facilitar o envio de mercadorias para lá de Espanha. Só que o sector da logística tem elencado problemas mais urgentes na rede ferroviária nacional. Isso foi expresso na última terça-feira num debate organizado pela associação de transportes ADFERSIT.

São apontados problemas como a existência de troços não eletrificados - que só ficará resolvida até 2030 -; a limitação de comprimento dos comboios - que só no final de 2023 permitirá comboios com até 750 metros de comprimento em vez dos atuais 400; e ainda as limitações na carga máxima que pode ser rebocada por circulação.

Além disso, em Espanha, o transporte de mercadorias em bitola ibérica apenas é feito entre o porto de Barcelona e a fronteira francesa, com dois a três comboios a circularem por dia por sentido.

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