Construção

Soares da Costa ainda sem garantia de perdão dos bancos

Fotografia: MANUEL DE ALMEIDA / LUSA
Fotografia: MANUEL DE ALMEIDA / LUSA

Há mais três empresas do grupo que vão pedir para negociar dívida com as mesmas condições do PER da construtora

A Soares da Costa está ainda a negociar com os bancos a viabilização do plano de recuperação. Ao que o Dinheiro Vivo apurou, a construtora ainda não terá apresentado uma proposta firme de corte de dívida.

O grupo liderado por Joaquim Fitas, revela o Expresso, pretende um perdão de metade da dívida. Só aos bancos a construtora deve 400 milhões de euros. A empresa está desde quarta-feira em processo especial de revitalização (PER), com a nomeação de um administrador judicial provisório.

A aprovação do plano de recuperação, que estará focado na redução de dívida, depende dos três maiores credores, que têm mais de dois terços da dívida: Caixa Geral de Depósitos, BCP e Millennium Atlântico. A dívida total da construtora é superior a 500 milhões de euros.

Mas não vai ficar por aqui. Há mais três empresas do grupo que vão pedir proteção de credores e avançar com um PER: a Soares da Costa SGPS, a Clear, com operações em Angola e Moçambique, e a Soares da Costa Serviços Públicos.

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O Dinheiro Vivo sabe que a submissão desta última à proteção dos credores esteve em dúvida, na medida em que se trata de uma empresa de prestação de serviços ao grupo, sem clientes externos, mas que acabou por ser decidida a sua inclusão de modo a requerer ao tribunal a aplicação a todas as empresas do universo Soares da Costa as mesmas condições de recuperação no âmbito do plano especial de revitalização, designadamente a nível de perdão de dívida, etc.

Pouco confiantes no futuro do grupo estão os representantes dos trabalhadores. “Os números comprovam-no: 80% das empresas do sector que recorreram aos processos especiais de revitalização não tiveram sucesso e acabaram na insolvência. Veja-se o caso da Pregaia, que foi do grupo Soares da Costa”, diz o presidente do Sindicato da Construção.

Albano Ribeiro lamenta que os trabalhadores continuem a passar dificuldades “quando a empresa tem mais de sete milhões de euros no Deutsche Bank que davam para pagar todos os salários em atraso”.

Negociações entre acionistas da Soares da Costa suspensas

Apesar da descrença do sindicato, fonte contactada pelo Dinheiro Vivo garante que a situação da Soares da Costa é diferente. “Ao contrário de muitas construtoras que recorreram ao PER, e em que o mero perdão da dívida não lhes resolveu a vida, porque não tinham mercado, à Soares da Costa não lhe faltam obras, sobretudo em Angola. Portanto, se conseguir reduzir de forma significativa a sua dívida e reescaloná-la, eu arriscaria apostar no sucesso do seu PER”, afirmou ao Dinheiro Vivo fonte do sector conhecedora da empresa.

A Soares da Costa terá ainda de concluir o processo de reestruturação. A saída de 517 pessoas, entre as quais centenas de inativos, deverá ocorrer nas próximas semanas. Mas há ainda ajustes a fazer em função da carteira que assegurou nos últimos meses obras em Portugal, Angola e Moçambique.

Além da saída de pessoas, a Soares da Costa tem diminuído os custos de estrutura: a frota automóvel foi reduzida e foram cortados os custos com as instalações, quer em Lisboa quer no Porto. Os restantes detalhes do plano de recuperação serão conhecidos nas próximas semanas, depois da apresentação da lista de credores.

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