Soares de Costa nasceu em 1918 e chegou a empregar mais de 4000

A Soares da Costa, cuja administração anunciou hoje o recurso a um PER, nasceu em 1918 no Porto, pela mão de José Soares da Costa.

A Soares da Costa, cuja administração anunciou hoje o recurso ao Processo Especial de Revitalização devido aos prejuízos acumulados e aos meses de salários em atraso, nasceu em 1918 no Porto, pela mão de José Soares da Costa.

Entretanto, passou de pequena empresa com dez operários, sobretudo dedicada à execução de acabamentos de alta qualidade, a uma das maiores empresas portuguesas no setor de construção, com uma presença global em Portugal, Angola, Moçambique, São Tomé e Príncipe, Venezuela, Macau e Brasil.

Nos últimos anos, penalizada pela crise que afetou o setor do imobiliário e construção, foi perdendo obras e influência, acumulando atualmente prejuízos de várias dezenas de milhões de euros e diversos meses de salários em atraso aos trabalhadores em Portugal e Angola, praticamente as únicas geografias onde se mantém, além de Moçambique.

Em dezembro de 2015 a administração da construtora, atualmente liderada por Joaquim Fitas, anunciou o despedimento coletivo de 519 trabalhadores, 272 dos quais em situação de inatividade, por falta de trabalho, há já vários meses.

A Soares da Costa Construção, SGPS, SA foi criada formalmente em 30 de dezembro de 2002 pelo seu então único acionista Grupo Soares da Costa SGPS, SA, mas até então foi ganhando dimensão, começou por crescer em 1944 para uma sociedade por quotas, com oito milhões de escudos de capital, e para uma sociedade anónima com um capital de nove milhões de escudos em 1968, ainda detido inteiramente pelos herdeiros do fundador e então já com atividade em toda a região norte de Portugal.

Segundo se lê na página da construtora na Internet, foi após o 25 de abril de 1974 que, "reagindo com inovação à crise que então se instalou no mercado", a empresa "encontrou na construção, utilizando tecnologia de 'cofragem túnel', a porta para a continuação do seu crescimento", tendo chegado a 1977 já com mais de 4.000 trabalhadores.

A expansão internacional arranca no início da década de 80 do século passado, inicialmente para a Venezuela e para a Guiné-Bissau, sendo também nessa altura que, "aproveitando a explosão de crescimento das infraestruturas do país" na sequência da adesão de Portugal à Comunidade Europeia, a atividade da empresa se alarga dos edifícios à construção de infraestruturas.

Em 1988 a Soares da Costa efetua um novo aumento de capital, para 5.250.000 mil escudos, mas mantém o caráter familiar, ficando as décadas de 80 e 90 associadas ao escalar da atividade internacional da sociedade para mercados como o Iraque, Macau, Egipto, Guiana, Angola, Moçambique, Guiné-Bissau, Cabo Verde e Alemanha.

Em 2002 uma nova reestruturação interna converteu a Sociedade de Construções Soares da Costa, SA numa sociedade gestora de participações sociais (Grupo Soares da Costa, SGPS, SA, com o capital social de 160 milhões de euros) e, entre o final de 2006 e o início de 2007, o Grupo Investifino - Investimentos e Participações, SA assume o controlo do grupo, desaparecendo o caráter familiar da empresa.

Foi durante o ano de 2011 que as "substanciais alterações do contexto macroeconómico, a escassez de financiamento e a forte contração do mercado de construção doméstico" começaram a fazer mossa na atividade da construtora, que reajustou a estratégia para a diversificação geográfica da atividade e para a área de negócios da construção.

A última alteração acionista remonta a fevereiro de 2014, com um aumento de capital no valor de 70 milhões de euros a ser integralmente subscrito e realizado em dinheiro pela entrada de um novo investidor - a GAM Holdings, detida pelo empresário angolano António Mosquito - que passou a controlar 66,7% no capital da Soares da Costa Construção, SGPS, SA, ficando os restantes 33,3% nas mãos da SDC -- Investimentos (ex-Grupo Soares da Costa).

Atualmente, segundo se lê na página oficial na Internet, o grupo emprega 3.785 colaboradores, dos quais quase 60% em Angola e quase 20% em Moçambique. O último relatório e contas ali disponível data de 2013, ano em que o resultado consolidado atribuível ao grupo foi negativo em 63,1 milhões de euros (-37,8 milhões de euros em 2012) e o volume de negócios consolidado recuou 30,2%, para perto de 500 milhões de euros.

 

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