Sobra meio milhão de euros nos cheques para elétricos

Pelo menos duas centenas de automobilistas vão ficar fora das ajudas do Estado. Terminam nesta terça-feira as candidaturas aos apoios.

Ficou por atribuir mais de meio milhão de euros em incentivos para a compra de carros e bicicletas sem emissões. Terminam nesta terça-feira as candidaturas aos apoios do Fundo Ambiental e o valor que sobrou depois de mais de 7400 candidaturas será redistribuído pelas várias tipologias de veículos.

É certo que, pelo menos, duas centenas de proprietários de automóveis elétricos vão ficar de fora das ajudas do Estado.

Sobraram 502 600 euros das candidaturas ao incentivo para veículos de baixas emissões, calcula o Dinheiro Vivo a partir dos dados do Fundo Ambiental disponibilizados até à hora do fecho da edição.

Tal como em anos anteriores, os veículos elétricos ligeiros de mercadorias tiveram o menor número de candidaturas aceites ou por validar (83). Apesar de o Estado ter duplicado o cheque por veículo - havia 150 vagas, cada uma por seis mil euros - ficaram por usar 402 mil euros.

"Ainda há falta de oferta de veículos ligeiros de mercadorias. Não há mais do que 10/15 modelos e alguns deles têm autonomia pequena. Nos próximos anos, com maior autonomia e oferta, as candidaturas poderão ser preenchidas", acredita o líder da associação de Utilizadores de Veículos Elétricos (UVE), Henrique Sánchez.

Os restantes 100 600 euros que ficaram por utilizar correspondem às bicicletas de carga elétricas e convencionais. Nesta categoria, havia 300 cheques disponíveis, mas até agora foram aceites ou estão por validar 221 candidaturas; ou seja, sobraram 79 vagas.

Nas bicicletas de carga, os incentivos pagavam metade do preço da bicicleta até 500 euros nos modelos convencionais ou até 1000 mil euros nas versões ligadas à corrente.

As duas categorias ficaram de fora do reforço de meio milhão de euros que o Fundo Ambiental aplicou em agosto. Na altura, subiu de 650 mil para 1,1 milhões de euros (mais 450 mil euros) o orçamento para a compra de bicicletas, motos ou ciclomotores.

Fossem particulares ou empresas, as ajudas davam até 350 euros por unidade, com a comparticipação de até metade do preço. Os particulares apenas puderam apresentar uma candidatura; as empresas tinham direito a um máximo de quatro ajudas.

No caso das bicicletas convencionais, sem assistência elétrica, o envelope financeiro duplicou para 100 mil euros. O Fundo Ambiental comparticipou em 20% no valor da aquisição, no máximo de 100 euros.

Apesar do reforço de verba, mantém-se a lista de espera nas duas tipologias: faltam 96 222 euros para 386 candidaturas nas bicicletas elétricas e 13 813 euros para 559 inscrições nos velocípedes convencionais. Mas nem tudo está perdido.

Na redistribuição das verbas, a prioridade serão os veículos ligeiros de mercadorias, a seguir as bicicletas de carga, depois as bicicletas, ciclomotores e motociclos elétricos, seguidas pelas bicicletas convencionais e, por fim, os veículos ligeiros de passageiros.

Como sobrou dinheiro dos veículos ligeiros de mercadorias e das bicicletas de carga, será possível cobrir todos os pedidos para bicicletas, ciclomotores e motociclos elétricos, além das bicicletas convencionais, no valor total de cerca de 110 mil euros.

Para os carros elétricos de passageiros ainda sobram cerca de 392 mil euros, para 130 veículos. No entanto, a verba será insuficiente para cobrir 345 candidaturas, no valor de 1032 milhões de euros. Mais de 200 condutores não terão qualquer ajuda para comprar o veículo elétrico no valor de até 62 500 euros.

A situação não agrada à UVE. "O plafond devia ser ampliado para cobrir todas as candidaturas válidas. Os consumidores particulares têm menos incentivos do que as empresas."

Sem Orçamento do Estado para 2022, o futuro do programa de incentivos à compra de veículos ainda é incerto.

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