Sogrape e retalhistas negam acusação da Concorrência

Grupo acredita que acusação cairá e lamenta não ter tido até ao momento acesso ao processo nem hipótese de se pronunciar.

Não houve concertação de preços e espera ter oportunidade de se defender agora, uma vez que antes não lhe foi dada essa possibilidade. É assim que a Sogrape reage à acusação da Autoridade da Concorrência (AdC), que nesta manhã acusou seis grupos de distribuição alimentar e dois fornecedores de sumos, vinhos e outras bebidas de concertarem preços durante vários anos em prejuízo do consumidor.

Também a Auchan, o Pingo Doce, o Continente e o Lidl vieram já rejeitar as acusações. "Confirmamos que fomos notificados sobre o processo em questão, que está a ser analisado, sendo que iremos naturalmente apresentar a nossa contestação, pois as nossas práticas não configuram os atos imputados", afirma a Auchan numa nota enviada à Lusa. "O Pingo Doce repudia a acusação e vai contestá-la, não deixando de apresentar os seus argumentos num processo em que estamos seguros da nossa conduta e trabalho diário para levar até aos consumidores portugueses as melhores oportunidades de preço e promoções, e os maiores descontos", refere a cadeia portuguesa.

Também os donos do Modelo Continente e o Lidl rejeitam as acusações, afirmando pretender analisar "com total rigor e firmeza" o que está em causa. A Sonae MC sublinha mesmo as falhas num método que prejudica a reputação das empresas nomeadas ainda antes de haver um caso comprovado ou terem tido conhecimento ou oportunidade de responder. E garante que tudo fará para repor a verdade e o seu bom nome.

Vinhos defendem-se

A Sogrape Distribuição "tomou conhecimento de que a Autoridade da Concorrência emitiu um comunicado em que informa ter adotado uma nota de ilicitude, imputando a um conjunto de empresas, incluindo algumas cadeias de supermercados e a Sogrape Distribuição, alegadas práticas anticoncorrenciais no setor do retalho alimentar", escreve a empresa em comunicado, para logo rejeitar "ter participado na contraordenação que a AdC lhe imputa" A companhia sublinha ainda esperar ter "agora a oportunidade de clarificar a correta análise e interpretação dos factos".

De acordo com a Sogrape Distribuição, a nota de ilicitude corresponde apenas a uma "possibilidade razoável de vir a ser proferida uma decisão condenatória pela AdC", salientando que apenas terá agora "a primeira oportunidade de responder às alegações".

"A Sogrape Distribuição lamenta a emissão do comunicado da AdC, a qual considera incompreensível num momento processual em que ainda não teve a oportunidade de se pronunciar ou sequer de consultar o processo", sublinha, garantindo que cumpre estritamente a Lei, "tendo inclusivamente implementado programas de formação e compliance com vista a assegurar o estrito cumprimento das normas de direito da concorrência".

Supers "asseguram" mecanismos para evitar concertação

"O Pingo Doce assume o compromisso público de oferecer a melhor qualidade aos melhores preços, com grande resiliência, mesmo nos momentos de crise, como o que vivemos atualmente", reagiu nesta tarde o retalhista português, sublinhando que os seus clientes "reconhecem este esforço consistente e a prova disso é que cerca de metade das nossas vendas totais é feita com produtos em promoção", refere na sua resposta à acusação da AdC.

Também a Auchan rejeita a acusação da Concorrência, que incide ainda sobre Modelo Continente e de acordo com a qual terão utilizado "o relacionamento comercial" com os fornecedores Sumol+Compal e Sogrape "para alinharem os preços" dos principais produtos daqueles.

O grupo assegura que, na Auchan "são assegurados internamente todos os processos de controlo" a fim de evitar qualquer tipo de prática semelhante à da concertação de preços.

A Sonae MC afirmou que vai analisar "com total rigor e firmeza" a acusação, tal como o Lidl. "O Lidl Portugal rejeita a acusação que lhe é feita, pois está ciente das suas obrigações legais e sempre pautou a sua atuação por um escrupuloso cumprimento das melhores práticas de concorrência, trabalhando com total transparência para oferecer a máxima qualidade ao melhor preço aos consumidores", refere o grupo, numa reação enviada à Lusa. "O Lidl Portugal irá analisar com rigor os termos na notificação da Autoridade da Concorrência, exercendo o seu direito de defesa em local próprio, convicto que lhe será reconhecida a conformidade da sua conduta de acordo com as regras do mercado", acrescenta o texto.

"Lamentamos a forma como a Concorrência coloca de novo em causa o bom nome e a reputação da Sonae MC e da sociedade por si participada sem garantir previamente o direito de defesa, uma vez que a acusação representa apenas uma fase provisória", refere em comunicado a Sonae MC, que afirma que vai analisar os termos da acusação "com total rigor e firmeza no sentido de, em momento e lugar próprio, serem utilizados todos os meios ao alcance, com vista à salvaguarda dos direitos, reputação, valores e integridade da Sonae MC e da sua participada".

"A Sonae MC está ciente das suas obrigações legais e reitera o seu compromisso de conduzir a sua atividade no estrito cumprimento da lei, concretamente no que concerne a regras em matéria de concorrência", refere ainda o grupo retalhista.

A acusação da AdC, hoje divulgada, de concertação de preços durante vários anos em prejuízo dos consumidores, envolve um total de seis grupos de distribuição alimentar e dois fornecedores de sumos, vinhos e outras bebidas, envolvendo ainda a cadeia de distribuição Lidl e as cadeias Intermarché e E-Leclerc, distribuidores com grande peso no mercado da distribuição em Portugal.

A AdC diz que os comportamentos investigados "duraram vários anos", tendo-se desenvolvido entre 2002 e 2017, no caso da Sumol+Compal, e entre 2006 e 2017, no caso da Sogrape. "A confirmar-se, a conduta em causa é muito grave", disse hoje a AdC em comunicado, precisando tratar-se de um novo caso em que os distribuidores recorrem a contactos bilaterais com o fornecedor para promover ou garantir, através deste, que "todos praticam o mesmo preço" de venda ao público no mercado retalhista. com Lusa.

(Notícia atualizada pela última vez às 18.20, com mais reações dos retalhistas)

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